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Sexta-feira, 17 de Abril de 2026
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Os evangélicos não têm representação política em Ilhéus, realidade ou mito?

Coluna Hélio Ricardo

Hélio Ricardo
Por Hélio Ricardo
Os evangélicos não têm representação política em Ilhéus, realidade ou mito?
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A pergunta é provocadora, mas necessária. Em Ilhéus, uma cidade com forte presença evangélica estima-se que cerca de 28% da população se identifique com alguma denominação protestante , o poder político institucional ainda não reflete essa força numérica e social.

A verdade é que o povo evangélico é fragmentado, dividido em dezenas de ministérios, cada qual com sua liderança, doutrina e visão de mundo. Essa pulverização faz com que, nas urnas, a comunidade não aja de forma coordenada, tornando-se politicamente dispersa.

No atual cenário legislativo, há duas figuras que, em tese, poderiam representar o segmento: o vereador Gurita (PSD) e o vereador Josemar Cardoso (Republicanos). No entanto, a realidade mostra outra coisa. Gurita, embora tenha trânsito em diversos segmentos religiosos, não se apresenta como representante dos evangélicos, tampouco articula pautas ligadas diretamente à fé cristã. Já Josemar Cardoso, por sua vez, tem uma atuação vinculada à Igreja Universal do Reino de Deus, o que o torna um representante institucional de uma denominação específica, e não da totalidade dos evangélicos ilheenses.

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O resultado é claro: não existe hoje um porta-voz legítimo, reconhecido e plural dos evangélicos de Ilhéus. E isso não é mera percepção  os números das últimas eleições confirmam. Candidatos identificados como “da igreja” não conseguiram ultrapassar a barreira dos votos denominacionais, limitando-se a nichos internos e sem força para consolidar uma bancada evangélica.

O fenômeno, aliás, não é exclusivo de Ilhéus. Em várias cidades brasileiras, a falta de unidade entre as denominações impede a construção de uma representação política coesa e estratégica. A consequência é que, mesmo sendo uma das comunidades mais mobilizadas socialmente, os evangélicos seguem sem voz unificada no poder público local.

Talvez o maior desafio seja entender que fé e política não precisam se anular, mas que a representatividade só será real quando houver maturidade coletiva, articulação e propósito comum. Até lá, o que temos é um mito de representação  e uma realidade de dispersão.

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