Quando o assunto é do interesse dos parlamentares, a Câmara dos Deputados arruma logo uma maneira de colocar em votação. É um piscar de olhos.
A esmagadora maioria dos "representantes do povo" é adepta do "farinha pouca, meu pirão primeiro". Quem achar ruim que vá chorar no pé do caboclo e leve um lenço para enxugar as lágrimas.
Vejamos, caro e atento leitor, o exemplo da famigerada PEC da Blindagem, que visa proteger os parlamentares que agem fora da lei, dando um chega pra lá nos processos criminais.
A Proposta de Emenda Constitucional, que poderia ser chamada de PEC da Impunidade, é inconstitucional. Joga na lata do lixo o preceito de que "todos são iguais perante a lei". Protege os marginais da política.
Enquanto isso, projeto que beneficia o povo, aliviando o sufoco do dia a dia, como o que amplia a faixa de isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, é desdenhado, empurrado com a barriga, como diz a sabedoria popular.
O projeto da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil está parado em decorrência de um pedido de vista do senador Izalci Lucas (PL-DF). O parlamentar alega que precisa de mais tempo para tomar uma posição.
Como 2025 não é ano eleitoral, e o brasileiro tem memória curta, não há nenhuma preocupação por parte desses "homens públicos". O discurso da reeleição, defendendo justiça social, fica para 2026.
E assim caminha o Parlamento da República Federativa do Brasil.
PS -"Ao rejeitar a PEC da Blindagem, o Senado apenas enterrou o monstrengo fuzilado pela sociedade indignada - que deve permanecer alerta, pois o espectro do corporativismo criminoso segue vivo", diz o editorial de hoje do Estadão

Comentários: