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Sábado, 10 de Outubro 2026
Política

Jabes Ribeiro: a dimensão de uma liderança que o tempo não apgou

Coluna Hélio Ricardo

Hélio Ricardo
Por Hélio Ricardo
Jabes Ribeiro: a dimensão de uma liderança que o tempo não apgou
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Há momentos em que a política nos oferece uma oportunidade de olhar além das declarações, das disputas partidárias e dos interesses imediatos. O episódio recente envolvendo Jabes Ribeiro, ao afirmar que não aceitará desrespeito aos integrantes do Progressistas e defender que as divergências sejam tratadas pelo diálogo, merece uma reflexão que vai além do fato em si.

Afinal, o que representa uma liderança construída ao longo de cinco décadas de vida pública?

Jabes Ribeiro não é um personagem circunstancial da política de Ilhéus. Advogado, professor, ex-deputado federal e quatro vezes prefeito do município, construiu uma trajetória que atravessou diferentes momentos da história brasileira. Do MDB ao PSDB, chegando ao Progressistas, acompanhou mudanças profundas no sistema político e permaneceu presente no debate público.

Essa permanência revela experiência, capacidade de articulação e conhecimento das relações de poder. São atributos que não se conquistam da noite para o dia. Resultam de convivência, decisões, enfrentamentos, alianças e, sobretudo, da capacidade de compreender os movimentos de uma sociedade em constante transformação.

Mas nenhuma trajetória pública deve ser analisada apenas pelos cargos ocupados ou pelo tempo de permanência na política.

A verdadeira dimensão de uma liderança também se mede pela capacidade de ouvir, reconhecer limites, renovar ideias e abrir espaço para novas gerações.

Jabes acumulou experiência administrativa e política. Sua passagem pela Prefeitura de Ilhéus, pelo Congresso Nacional e por funções de articulação regional ampliou sua presença no cenário baiano. Ao mesmo tempo, sua longevidade impõe uma responsabilidade proporcional: submeter as decisões, as alianças e os resultados de sua atuação ao exame crítico da sociedade.

As mudanças de partido, por exemplo, podem ser compreendidas à luz das transformações políticas de cada época, mas também suscitam questionamentos legítimos sobre coerência programática e identidade ideológica. Da mesma forma, os sucessivos mandatos representam experiência acumulada, sem dispensar a avaliação dos resultados de cada administração. Esses são aspectos que merecem análise, e não julgamentos simplificados.

É justamente por isso que a fala recente de Jabes sobre respeito e diálogo chama a atenção. Na política, divergências são inevitáveis. O que diferencia uma discussão produtiva de um conflito improdutivo é a capacidade de estabelecer limites, preservar a dignidade das pessoas e compreender que discordar não significa necessariamente romper.

Liderar não é exigir concordância permanente. É saber administrar diferenças sem transformar cada divergência em uma disputa pessoal.

E talvez exista uma reflexão ainda mais importante para quem dedicou tantos anos à vida pública: a dimensão de uma liderança não está apenas na capacidade de conquistar espaços, mas também na maneira como ela utiliza a experiência acumulada para construir caminhos que sobrevivam à sua própria presença.

Um líder pode conhecer profundamente os bastidores, dominar a linguagem das articulações e compreender os movimentos partidários. Ainda assim, seu legado depende da capacidade de transformar esse conhecimento em diálogo, formação de novos quadros e contribuição efetiva para a coletividade.

Jabes Ribeiro tem uma história que faz parte da história política de Ilhéus. Isso não significa que suas escolhas estejam acima de críticas, nem que seu legado deva ser tratado como uma obra concluída. Significa reconhecer que cinco décadas de vida pública constituem uma experiência relevante para compreender o município, suas disputas e suas transformações.

Talvez o maior desafio de uma trajetória tão longa seja perceber que a experiência, por si só, não encerra a missão de ninguém. Ela pode representar o começo de uma contribuição diferente, mais madura e capaz de aproximar pessoas que pensam de maneiras distintas.

A política precisa de menos personalismo e mais responsabilidade. Menos ressentimento e mais disposição para conversar. Menos preocupação com a vitória de um grupo e mais compromisso com os problemas reais da população.

No fim, a grandeza de um homem público não se resume ao número de mandatos, aos cargos que ocupou ou às alianças que conseguiu construir. Está também na capacidade de reconhecer a força de sua própria história, aprender com as contradições do caminho e transformar experiência em sabedoria.

Porque o tempo pode encerrar mandatos, modificar partidos e reorganizar forças políticas. Mas a oportunidade de contribuir com a sociedade permanece enquanto houver disposição para ouvir, aprender e dialogar.

E talvez seja essa a reflexão que fica: depois de tantos anos na vida pública, o desafio não é apenas continuar presente na política, mas encontrar novas formas de fazer com que toda essa experiência tenha sentido para o futuro de Ilhéus.

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