Everaldo Anunciação, ex-vereador de Itabuna, com uma boa atuação parlamentar, implacável na luta contra a privatização da Emasa (Empresa Municipal de Águas e Saneamento), disse, na sua entrevista ao Pimenta blog, que os municípios com mais de 100 mil eleitores terão atenção especial no pleito de 2024.
Anunciação, tido como um hábil articulador político, é membro do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, o GTE, que tem a função de cuidar do processo sucessório municipal, do rumo que a legenda vai tomar na disputa das prefeituras.
Se referindo aos diretórios municipais, Anunciação, também ex-ceplaqueano, diz que "essas cidades vão ter autonomia para tomar decisões, mas a deliberação passará pela consulta da Direção Nacional".
Esse "mas" deixa nas entrelinhas que a decisão final de lançamento ou não de candidatura do PT, que compõe a federação Brasil da Esperança junto com o PCdoB e PV, terá que passar pelo crivo do comando nacional da sigla, que tudo será resolvido de cima para baixo.
Já comentei aqui, por mais de duas ou três vezes, que na hora da onça beber água, do vamos ver, vem logo à tona o manda quem pode, obedece quem tem juízo. A autonomia passa a ser de mentirinha. Como precaução aos fofoqueiros de plantão, esclareço que esse parágrafo é direcionado a todas as agremiações partidárias.
No caso da federação, a executiva nacional só será acionada quando não houver um entendimento entre as legendas, como é o caso da sucessão de Itabuna, que tem até "dois PTs", o PT 1, que defende a pré-candidatura do ex-prefeito Geraldo Simões, e o PT 2, rotulado de augustiano, que quer o apoio da sigla à reeleição de Augusto Castro (PSD).
Podemos então adiantar que o imbróglio em Itabuna, muito longe de um consenso, de ter uma solução que agrade a petistas, comunistas e verdes, vai terminar na mesa da deputada federal Gleisi Hoffamann, dirigente-mor do PT, oxalá na do chefe do Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva.
Outro ponto é que as três maiores lideranças do PT da Boa Terra, obviamente que me refiro ao governador Jerônimo Rodrigues, senador Jaques Wagner e o ministro Rui Costa, da Casa Civil do governo Lula 3, vão ter influência na decisão da cúpula nacional.
Nos bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus, o que se comenta é que há um empate no tocante a confusão na sucessão de Itabuna : Wagner ao lado de Geraldo Simões e Rui Costa com Augusto Castro. O parlamentar defendendo que o ex-prefeito seja o candidato da federação, e o ministro o apoio do PT ao segundo mandato do chefe do Executivo municipal.
E o governador Jerônimo Rodrigues ? Perguntaria o caro e atento leitor da modesta coluna. A resposta é que o chefe do Palácio de Ondina só vai se posicionar lá na frente. Seria muita ingenuidade política se optasse por outro caminho.
O que se pode afirmar, sem medo de errar, sem nenhuma opinião contrária, é que o pega-pega no petismo itabunense vai ficar cada vez mais intenso com a proximidade da eleição. O confronto entre o PT 1 e o PT 2 terá vários rounds.
A Everaldo Anunciação, pelo qual tenho um grande respeito e carinho, desejo sucesso nessa difícil missão de apaziguar os interesses inerentes ao jogo para conquistar o poder.

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