O som estrondoso interrompeu a rotina de uma manhã comum em Ahmedabad. Em questão de segundos, moradores do bairro próximo ao Aeroporto Internacional Sardar Vallabhbhai Patel viram o que parecia impossível: um avião em queda livre, perdendo altitude rapidamente, até colidir brutalmente com um prédio residencial. Era o voo AI171 da Air India, que havia decolado rumo a Londres minutos antes. O impacto não apenas destruiu estruturas, mas deixou um rastro de devastação emocional em centenas de famílias — tanto as que estavam a bordo quanto as que viviam no local.
O que se sabe até o momento
A aeronave envolvida na tragédia é um Boeing 787‑8 Dreamliner, considerado um dos modelos mais seguros e modernos da aviação comercial. Segundo informações da Diretoria Geral de Aviação Civil da Índia (DGCA), o avião decolou às 9h07, horário local, com 242 pessoas a bordo — sendo 230 passageiros e 12 tripulantes. Menos de cinco minutos depois, a torre de controle perdeu contato com os pilotos.
A queda ocorreu em uma área residencial densa, onde funcionava uma república estudantil. O prédio foi completamente consumido pelo fogo, que se espalhou devido ao combustível da aeronave. Bombeiros e equipes de resgate foram acionados imediatamente e seguem trabalhando na remoção de escombros, buscando sobreviventes ou corpos.
Histórias começam a emergir dos destroços. Uma jovem estudante de medicina, que morava no edifício atingido, sobreviveu por estar fora de casa durante uma prova. Uma família britânica a bordo da aeronave viajava de volta após visitar parentes na Índia. Um dos comissários, Ravi Malhotra, era conhecido por publicar vídeos de bastidores de voos no TikTok e havia feito um último post horas antes da decolagem.
Até o momento, autoridades locais confirmam mais de 240 mortos, incluindo todos os ocupantes da aeronave. Ainda não há número oficial de vítimas no solo.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, expressou profunda consternação nas redes sociais e anunciou apoio federal às investigações. A Air India declarou luto oficial e suspendeu voos da mesma linha até a conclusão das análises técnicas. A Boeing também se manifestou, oferecendo apoio técnico às autoridades indianas e enviando especialistas ao local.
A caixa-preta da aeronave já foi localizada e será analisada pelo Comitê de Segurança da Aviação Civil da Índia, em conjunto com engenheiros norte-americanos. Relatos preliminares indicam uma súbita perda de potência e falhas nos controles de estabilidade. Contudo, ainda é cedo para apontar as causas do acidente com precisão.
Emoção, solidariedade e vigilância
Cenas comoventes tomaram conta da área externa do aeroporto. Familiares, em desespero, aguardavam notícias, muitos sem saber se seus entes estavam entre os mortos. Equipes de apoio psicológico foram deslocadas para os hospitais e centros de emergência.
Doações de sangue, água, cobertores e alimentos foram organizadas por voluntários locais. "É uma dor que ninguém deveria sentir", disse entre lágrimas uma enfermeira que perdeu o primo no voo.
O acidente repercutiu no mundo inteiro. O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido afirmou que está em contato com autoridades indianas para confirmar se há cidadãos britânicos entre os mortos e ofereceu ajuda humanitária. A Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) emitiu nota lamentando a tragédia e oferecendo cooperação técnica.
O que vem a seguir
A tragédia que paralisou Ahmedabad vai repercutir ainda por muito tempo. Especialistas em aviação apontam que este é um dos acidentes mais graves da história recente da aviação indiana. As próximas semanas serão de investigação, homenagens e reflexões sobre segurança, manutenção e preparo para emergências.
A lista completa de passageiros ainda não foi divulgada oficialmente. Espera-se que nos próximos dias o governo disponibilize os nomes para que as famílias possam realizar os ritos de despedida.
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