A revista britânica The Economist publicou um editorial em que defende que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deveria disputar a reeleição nas eleições de 2026 em razão da idade. Segundo a publicação, líderes com mais de 80 anos podem representar riscos à estabilidade política e institucional, mesmo quando são experientes e possuem popularidade.
O texto destaca que Lula completou 80 anos e, caso vença um novo pleito, encerraria um eventual quarto mandato aos 85. Para a revista, esse fator deve ser considerado no debate político brasileiro, especialmente em um cenário que exige previsibilidade e renovação de lideranças.
No editorial, a The Economist traça um paralelo entre Lula e o ex presidente dos Estados Unidos Joe Biden, que optou por não buscar a reeleição após enfrentar questionamentos relacionados à idade e à capacidade física. A revista avalia que a demora de Biden em se retirar da disputa contribuiu para dificuldades eleitorais do Partido Democrata e impactou diretamente a candidatura de Kamala Harris.
A publicação afirma que o carisma e a trajetória política de Lula não seriam suficientes para afastar preocupações sobre o desgaste natural provocado pelo avanço da idade. O texto sustenta que a centralização do poder em torno do presidente brasileiro dificulta o surgimento de novas lideranças e limita o processo de renovação política no País.
Além da questão etária, a revista também faz críticas à condução da política econômica do atual governo, classificada como pouco eficaz. O editorial projeta que uma eventual campanha presidencial em 2026 seria marcada pela retomada de debates sobre escândalos de corrupção associados aos primeiros mandatos do petista, temas que ainda provocam rejeição em parte do eleitorado.
O artigo relembra ainda episódios recentes da política brasileira, como a condenação do ex presidente Jair Bolsonaro por envolvimento em tentativa de ruptura institucional e os desdobramentos internacionais envolvendo disputas comerciais com os Estados Unidos. Segundo a revista, esse contexto reforça a necessidade de mudanças no cenário político nacional.
A The Economist também cita que Lula havia sinalizado durante a campanha eleitoral de 2022 que não pretendia disputar um novo mandato. Para a publicação, o cumprimento dessa promessa abriria espaço para uma renovação no campo político e eleitoral.
No campo da oposição, o texto aponta que a direita brasileira vive um momento de reorganização após a prisão de Bolsonaro. Apesar disso, o ex presidente ainda mantém influência significativa entre seus apoiadores, especialmente no segmento evangélico. A revista menciona a indicação do senador Flávio Bolsonaro como possível nome para a disputa presidencial, mas avalia que ele enfrenta dificuldades de popularidade e desempenho político.
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