A Associação Comercial da Bahia (ACB) realizou, nesta terça-feira (9), em Salvador, a 4ª Sessão da Reunião da Diretoria Plenária, encerrando o calendário anual da instituição com um debate considerado estratégico para o agronegócio baiano: os impactos da Instrução Normativa 125 (IN125) sobre a cadeia produtiva do cacau. A importância do tema levou o secretário estadual da Agricultura, Pablo Barroso, a acompanhar pessoalmente as discussões.
Mudanças na importação preocupam o setor
Publicada em 2021 pelo Ministério da Agricultura, a IN125 flexibilizou as regras para a importação de amêndoas de cacau, especialmente de países africanos como a Costa do Marfim. A normativa retirou exigências fitossanitárias consideradas essenciais por entidades brasileiras — entre elas o tratamento com brometo de metila, indispensável para impedir a entrada de pragas quarentenárias que não existem no país.
Para produtores e associações, a mudança abriu espaço para um volume maior de importações e elevou o risco sanitário, além de intensificar a concorrência com a produção nacional, que já enfrenta altos custos e falta de previsibilidade das safras.
Produtores relatam apreensão e desigualdade na cadeia
Durante a reunião, a presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC), Vanuza Barroso, apresentou um diagnóstico sobre a situação da cacauicultura. Baiana radicada em Minas Gerais, ela relembrou o impacto histórico da vassoura-de-bruxa e criticou a ausência de políticas públicas consistentes para o setor.
“Não temos previsão de safras e ainda convivemos com uma importação predatória. Este é um setor extremamente importante, sobretudo para a Bahia, e que permanece vulnerável”, afirmou.
O empresário Ademar Lemos Júnior, associado da ACB e responsável por propor o debate, destacou a disparidade entre produtores e a indústria. “Acompanhei de perto a luta dos produtores, que não têm a mesma força econômica das grandes empresas. Essa desigualdade afeta não só a Bahia, mas também Pará, Espírito Santo, Rondônia e outros estados.”
ACB reforça papel estratégico no desenvolvimento da Bahia
A presidente da ACB, Isabela Suarez, conduziu a plenária e lembrou que o debate ultrapassa o interesse interno do setor produtivo, envolvendo diretamente a economia baiana.
“A discussão sobre o cacau diz respeito ao desenvolvimento da Bahia, ao futuro dos nossos produtores e à preservação de um patrimônio que marca nossa identidade. É papel da ACB mediar temas centrais para o ambiente econômico do estado”, afirmou.
O encontro encerrou o ano com a sinalização de que o tema seguirá em pauta em 2025, diante dos riscos fitossanitários e da pressão competitiva que envolvem a cadeia do cacau.
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