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Segunda-feira, 01 de Junho de 2026
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POLÍTICA

PEC da Blindagem: um retrato da desconexão entre deputados e sociedade

A bancada baiana e a blindagem parlamentar

Mandato Bahia
Por Mandato Bahia
PEC da Blindagem: um retrato da desconexão entre deputados e sociedade
Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
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A aprovação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição 3/2021 – apelidada de “PEC da Blindagem” – pela Câmara dos Deputados, na noite desta terça-feira (16), escancara um dos maiores problemas da política brasileira: a priorização dos interesses corporativos sobre os anseios do povo. Ao ampliar as prerrogativas parlamentares e dificultar o caminho para que o Supremo Tribunal Federal (STF) investigue ou puna deputados e senadores, a Câmara envia um recado preocupante à sociedade: blindar seus próprios membros parece mais urgente do que atender às reais demandas do país.

O texto, relatado pelo deputado baiano Claudio Cajado (PP-BA), recebeu apoio maciço da bancada baiana, com 22 votos favoráveis, 14 contrários, uma abstenção e duas ausências. Essa divisão evidencia como parte significativa dos representantes eleitos prefere fortalecer mecanismos de autoproteção, em vez de reforçar o princípio republicano de que todos são iguais perante a lei.

Não se trata de uma simples disputa entre partidos ou ideologias. A PEC, na prática, restringe a atuação do STF e impõe mecanismos que dificultam investigações e punições, inclusive por meio de voto secreto, o que aumenta a opacidade e reduz a transparência – um retrocesso num país que ainda luta para consolidar sua democracia.

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Enquanto isso, vozes críticas no Senado, como a do senador Otto Alencar (PSD), apontam a medida como uma “falta de cerimônia” e prometem resistência. “Essa blindagem é exatamente para proteger deputados e senadores que cometeram seus equívocos ao longo da vida pública”, afirmou Otto, prometendo trabalhar para barrar a proposta. Sua postura contrasta com o silêncio constrangedor de muitos parlamentares que apoiaram o texto.

A PEC da Blindagem não protege apenas parlamentares – ela mina a confiança da população no Legislativo e sinaliza que privilégios continuam a ser o verdadeiro combustível da política. Em vez de blindagem, os brasileiros esperam ética, responsabilidade e compromisso com a transparência. A aprovação da proposta expõe, mais uma vez, como a cultura política brasileira ainda precisa ser reconstruída sobre bases de respeito ao interesse público e não ao corporativismo parlamentar.

Como votaram os deputados baianos

A FAVOR:
Adolfo Viana (PSDB-BA); Arthur O. Maia (União-BA); Bacelar (PV-BA); Capitão Alden (PL-BA); Claudio Cajado (PP-BA); Dal Barreto (União-BA); Diego Coronel (PSD-BA); Elmar Nascimento (União-BA); Félix Mendonça Jr (PDT-BA); Gabriel Nunes (PSD-BA); José Rocha (União-BA); Leo Prates (PDT-BA); Leur Lomanto Jr. (União-BA); Márcio Marinho (Republicanos-BA); Mário Negromonte Jr (PP-BA); Neto Carletto (Avante-BA); Paulo Azi (União-BA); Paulo Magalhães (PSD-BA); Raimundo Costa (Podemos-BA); Ricardo Maia (MDB-BA); Roberta Roma (PL-BA); Rogéria Santos (Republicanos-BA).

CONTRA:
Alice Portugal (PCdoB-BA); Antonio Brito (PSD-BA); Charles Fernandes (PSD-BA); Daniel Almeida (PCdoB-BA); Ivoneide Caetano (PT-BA); Jorge Solla (PT-BA); Joseildo Ramos (PT-BA); Josias Gomes (PT-BA); Lídice da Mata (PSB-BA); Otto Alencar Filho (PSD-BA); Pastor Isidório (Avante-BA); Valmir Assunção (PT-BA); Waldenor Pereira (PT-BA); Zé Neto (PT-BA).

ABSTENÇÃO:
Alex Santana (Republicanos-BA).

NÃO VOTARAM:
João Leão (PP-BA); João Carlos Bacelar (PL-BA).

Um voto contra o povo baiano

Os deputados baianos que votaram a favor da PEC da Blindagem devem explicações públicas. Ao escolherem fortalecer mecanismos de autoproteção em vez de apoiar o combate à impunidade, esses parlamentares agiram contra o princípio da igualdade e da transparência. O eleitor baiano merece saber por que seus representantes preferiram blindar a si mesmos em vez de fortalecer a democracia e o combate à corrupção. A história registra e cobra – e essa votação ficará como um marco negativo para quem decidiu priorizar privilégios em detrimento do povo.

 

 

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FONTE/CRÉDITOS: Redação
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