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Lei Seca completa 18 anos, mas ainda enfrenta desafios

Legislação soma 3,7 milhões de infrações desde sua implementação. Segundo especialista do Observatório Nacional de Segurança Viária, recusa ao teste do bafômetro é um dos maiores obstáculos da fiscalização

Mandato Bahia
Por Mandato Bahia
Lei Seca completa 18 anos, mas ainda enfrenta desafios
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Em 2026, a Lei Seca (Lei nº 11.705) completa 18 anos de vigência no Brasil. Criada em 2008, a legislação se consolidou como uma das principais políticas públicas voltadas à segurança viária, ao estabelecer tolerância zero para a combinação entre álcool e direção. Ao longo desse período, foram registradas 3,7 milhões de infrações relacionadas à alcoolemia, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), evidenciando a abrangência da fiscalização e o alcance da norma.

Desde sua implementação, a Lei Seca passou por diversas atualizações. Em 2012, foram eliminadas as tolerâncias para medição do teor alcoólico no ar alveolar, e o valor da multa para infrações gravíssimas foi aumentado para dez vezes o valor de referência, alcançando R$ 1.915,38. Em 2016, a multa por embriaguez ao volante foi ajustada para R$ 2.934,70 e, em 2018, ficou estabelecido que motoristas embriagados envolvidos em sinistros podem ser condenados a até oito anos de prisão.

Para Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), a legislação promoveu mudanças significativas no comportamento dos motoristas. “Ao longo desse período, a Lei Seca estabeleceu uma maior percepção de risco e responsabilidade em relação à combinação entre álcool e direção. Tornou-se mais comum a adoção de alternativas seguras, como o uso de transporte por aplicativo, caronas solidárias e o planejamento prévio de quem irá dirigir”, afirma.

“O principal legado dessa legislação é a preservação de vidas, evidenciada pela redução de sinistros e mortes no trânsito ao longo dos anos, além de ter inserido definitivamente o tema na agenda pública e no debate social”, acrescenta.

Apesar dos avanços, a recusa ao teste do bafômetro se tornou um dos principais obstáculos para a fiscalização. Ao longo dos anos, foram registradas 2,45 milhões de infrações. A recusa é considerada gravíssima e pode acarretar a suspensão do direito de dirigir.

“Esse cenário revela que, embora haja maior conscientização, ainda existe uma parcela de condutores que busca evitar a responsabilização, indicando lacunas na percepção de risco e na efetividade das sanções”, avalia Guimarães.

“Para tornar o combate mais eficaz, é fundamental fortalecer a fiscalização com o uso de tecnologia, ampliar operações integradas e investir em campanhas educativas contínuas. Além disso, medidas que garantam maior segurança jurídica e agilidade na aplicação das penalidades também são essenciais para desestimular a recusa”, reforça.

Mesmo após quase duas décadas de vigência e milhões de infrações registradas no país, Guimarães observa que a persistência das autuações envolve diversos fatores. “Entre eles, destacam-se a cultura permissiva em relação ao consumo de álcool, a sensação de impunidade em algumas regiões, a desigualdade na intensidade da fiscalização e a limitação de recursos para ações contínuas”, conta.

“No entanto, os principais gargalos estão na fiscalização ainda insuficiente em escala nacional, na necessidade de maior integração de dados entre órgãos e na urgência de fortalecer a educação para o trânsito desde as fases iniciais da formação do cidadão”, complementa.

O futuro da Lei Seca, segundo o CEO do ONSV, dependerá de uma atuação cada vez mais integrada entre tecnologia, educação e políticas públicas. “A tecnologia terá papel estratégico, com soluções como fiscalização automatizada, uso de dados para inteligência viária e novas ferramentas de monitoramento”.

“A educação para o trânsito deve ser contínua, indo além de campanhas pontuais, com foco na mudança de comportamento e na valorização da vida. Já a atuação conjunta entre governo, iniciativa privada e sociedade civil será determinante para ampliar o alcance das ações e consolidar uma cultura de segurança viária mais responsável e sustentável no país”, conclui o executivo.

Para saber mais, basta acessar: http://www.onsv.org.br



Website: https://www.onsv.org.br/
FONTE/CRÉDITOS: DINO

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