No artigo intitulado "Coronel deve ficar ‘de butuca’ esperando que soberba atinja PT baiano", o jornalista Fernando Duarte traça um retrato crítico, porém preciso, do atual cenário político da Bahia em torno da sucessão estadual de 2026. Sua análise revela não apenas os bastidores da formação da chamada “chapa puro-sangue” do PT, como também evidencia o desconforto que essa proposta pode causar entre os aliados históricos do partido.
Fernando é direto ao mostrar que o PT baiano, ao tentar repetir a fórmula de 2022 com nomes de peso como Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e Rui Costa, pode estar flertando com um excesso de confiança que tende a desagregar a base política construída com muito custo ao longo dos últimos 20 anos.
A advertência do senador Otto Alencar (PSD), mencionada no texto, é um sinal claro de que a paciência dos aliados tem limite — especialmente quando se trata de espaço de poder real. A memória do fracasso da chapa carlista puro-sangue de 2006 é um alerta histórico que deveria ser levado a sério pelo núcleo petista.
O foco de Duarte sobre Angelo Coronel, senador pelo PSD, é particularmente relevante. Coronel é descrito como alguém com influência real, especialmente entre prefeitos e lideranças municipais. Diferente de figuras mais discretas como Lídice da Mata, ele não deve aceitar passivamente uma exclusão da chapa majoritária. E aí está o ponto central do artigo: o risco da soberba petista transformar aliados estratégicos em adversários silenciosos — ou piores, em concorrentes diretos.
Mesmo com a promessa de uma vice para o PSD, a conta não fecha. A substituição de Geraldo Jr. (MDB) pode até ser cogitada, mas não é suficiente para equilibrar a equação política complexa em torno de 2026. Como Duarte bem pontua, a compensação para a saída de Coronel da disputa teria que ser muito mais robusta do que a atual proposta do PT.
Outro trecho que merece destaque é a menção ao cenário nacional, com a possibilidade do PSD lançar Ratinho Jr. ou até apoiar Tarcísio de Freitas para a presidência. Isso mostra que o PSD não está atrelado de forma automática ao campo da esquerda, e pode sim se movimentar de maneira pragmática, inclusive na Bahia.
Duarte encerra seu artigo com a provocação de que Coronel torce para que o PT seja tragado pela própria soberba. Uma frase forte, simbólica e que resume perfeitamente o risco político de insistir em hegemonia dentro de uma aliança multipartidária.
Conclusão:
O artigo de Fernando Duarte acende um alerta importante sobre a condução do PT baiano rumo a 2026. A construção de alianças exige escuta, generosidade política e cálculo estratégico. Ignorar isso pode custar caro. Coronel, como ele afirma, está apenas “de butuca”. Mas o tempo dirá se essa observação silenciosa vai se transformar em reação.
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