Nesta segunda-feira, 24 de novembro de 2025, o mundo da música sofreu uma perda dolorosa: Jimmy Cliff, um dos mais influentes artistas do reggae, morreu aos 81 anos. A notícia foi confirmada por sua esposa, Latifa Chambers, em uma mensagem publicada nas redes sociais, na qual informou que ele sofreu uma convulsão seguida de pneumonia.
As raízes de James Chambers
Jimmy Cliff nasceu James Chambers, em 30 de julho de 1944, no condado de St. James, na Jamaica. Desde muito jovem, já demonstrava talento para a música: participava de feiras e concursos, buscando oportunidades para gravar.
Quando tinha apenas 17 anos, lançou seu primeiro grande sucesso, “Hurricane Hattie”, ao trabalhar com o produtor Leslie Kong.
A ascensão no reggae e no cinema
Cliff foi um dos pioneiros a popularizar o reggae, ska e rocksteady internacionalmente. Ele gravou dezenas de álbuns ao longo de mais de seis décadas de carreira.
Além disso, teve papel central no cinema jamaicano ao estrelar o filme “The Harder They Come” (1972), que se tornou um marco cultural e contribuiu para levar a música jamaicana para audiências globais.
Dentre seus sucessos mais emblemáticos estão “Many Rivers to Cross”, “You Can Get It If You Really Want”, “Wonderful World, Beautiful People” e uma versão marcante de “I Can See Clearly Now”, presente na trilha do filme Cool Runnings.
Prêmios e reconhecimento
Jimmy Cliff conquistou diversos prêmios na carreira: venceu dois Grammy — com os álbuns Cliff Hanger (1985) e Rebirth (2012).
Ele também recebeu honrarias em seu país: foi agraciado com a Ordem do Mérito da Jamaica, uma das mais altas condecorações culturais.
Em reconhecimento à sua influência global, foi induzido ao Rock and Roll Hall of Fame.
Fases pessoais e legado
Apesar de ser fortemente ligado ao reggae, Jimmy Cliff seguiu seu caminho espiritual de forma independente: ele se converteu ao islamismo, adotando o nome El Hadj Bachir Naim, sendo um artista com visão religiosa distinta em relação ao rastafarianismo, bastante presente na cultura jamaicana.
No Brasil, ele construiu uma relação especial: se apresentou diversas vezes por aqui (anos 1980 e 1990) e chegou a morar no Rio de Janeiro e em Salvador.
Seu último álbum, lançado em 2022, foi “Refugees”, demonstrando que até os últimos anos continuava ativo e criativo.

A despedida
Na nota de despedida, sua esposa Latifa agradeceu fãs, amigos, colegas músicos e a equipe médica. Ela afirmou que o carinho do público sempre foi “sua força durante toda a carreira” e pediu privacidade para a família neste momento de luto.
Jimmy Cliff deixa um legado imenso, que vai muito além das músicas: ele foi um embaixador cultural da Jamaica, um mensageiro de resistência, esperança e alegria. Suas canções continuam sendo trilhas de vidas e sua história inspira novas gerações.

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