A Prefeitura de Ilhéus, sob o comando do prefeito Valderico Júnior, lançou um novo edital de licitação para os serviços de coleta e limpeza urbana, com valor estimado em R$ 36,8 milhões. O montante é quase três vezes maior que o contrato anterior, firmado na gestão do ex-prefeito Mário Alexandre, que custava cerca de R$ 14 milhões por ano.
Pelo novo edital, a empresa vencedora será responsável por uma série de serviços ampliados: coleta domiciliar e conteinerizada, varrição manual e mecanizada, lavagem e desinfecção de vias e feiras livres, além da limpeza e manutenção das praias. O contrato terá duração inicial de 12 meses, podendo ser prorrogado conforme a legislação.
O que mudou em relação ao contrato anterior
Na administração passada, o contrato cobria apenas coleta básica e varrição manual, com atuação restrita a alguns bairros. Não havia sistema de contêineres, frota moderna nem monitoramento dos veículos. O custo mensal médio era de R$ 1,2 milhão.
Agora, a proposta da atual gestão amplia o escopo dos serviços e apresenta novos custos operacionais. Entre as possíveis justificativas técnicas para o aumento estão:
Ampliação da cobertura: inclusão de mais bairros e áreas rurais.
Implantação de coleta conteinerizada, com novos equipamentos e veículos mecanizados.
Alta dos insumos: combustíveis, pneus e equipamentos subiram cerca de 80% entre 2021 e 2025.
Novas exigências ambientais e sanitárias, em conformidade com a Lei de Resíduos Sólidos e normas da ANVISA.
Reajuste de salários e encargos trabalhistas do setor.
Faltam explicações oficiais
Mesmo com essas possíveis justificativas, o aumento de quase 160% ainda causa estranheza e pede transparência. Até o momento, a Prefeitura e a Secretaria de Serviços Urbanos (Secsurb) não divulgaram nenhuma nota explicativa detalhando o cálculo dos custos.
Especialistas e vereadores defendem que haja auditoria preventiva e acompanhamento pelos órgãos de controle, para garantir que o reajuste esteja de fato ligado à melhoria dos serviços.
A licitação está prevista para ter as propostas abertas em 15 de outubro. Resta saber se o novo contrato representará modernização e eficiência na limpeza pública ou apenas um aumento desproporcional diante da realidade financeira do município.
O gasto triplicado só se justifica se houver melhoria comprovada da cobertura, tecnologia e qualidade. Caso contrário, a diferença precisa ser revista conforme os princípios de economicidade e eficiência previstos na Lei nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações.

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