A Bahia ultrapassou a marca de 1,2 mil casos de injúria racial registrados em 2024, segundo um levantamento divulgado pelo Instituto de Segurança Pública, Estatística e Pesquisa Criminal (Ispe). O estudo reúne dados de todo o estado e evidencia como o racismo segue presente na realidade baiana, atingindo municípios de diferentes portes, incluindo Ilhéus, que aparece com 21 registros no ano.
Os números ganham ainda mais relevância na mesma semana em que o Supremo Tribunal Federal avançou no reconhecimento da existência de racismo estrutural no país, embora não tenha declarado formalmente a configuração de um “estado de coisas inconstitucional”.

Ilhéus entre os municípios com índices mais altos
No interior do estado, Ilhéus ocupa posição de destaque entre as cidades com maior quantidade de registros. O município aparece com 21 casos, figurando em uma lista dominada por centros urbanos que concentram boa parte das ocorrências de injúria racial.
Entre os municípios com os maiores números absolutos estão:
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Feira de Santana – 67 casos
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Vitória da Conquista – 38 casos
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Camaçari – 35 casos
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Itabuna – 33 casos
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Lauro de Freitas – 33 casos
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Porto Seguro – 28 casos
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Ilhéus – 21 casos
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Luís Eduardo Magalhães – 20 casos
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Barreiras – 18 casos
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Alagoinhas – 16 casos
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Valença – 16 casos
Outros municípios como Senhor do Bonfim, Teixeira de Freitas, Alcobaça, Inhambupe, Poções, Cruz das Almas, Jequié, Mata de São João, Ruy Barbosa e Santo Antônio de Jesus também superaram a marca de dez registros.
134 cidades sem casos registrados
Apesar dos números elevados nos grandes centros, o levantamento do Ispe mostra que 134 municípios baianos não registraram nenhuma ocorrência de injúria racial em 2024. A ausência de registros, no entanto, não significa necessariamente que os casos não existam, mas pode refletir subnotificação, falta de acesso à informação ou dificuldades no processo de denúncia.
Salvador concentra quase 500 registros
A capital baiana, Salvador, reconhecida como a cidade com maior população negra do país, contabilizou 492 ocorrências ao longo do ano. O número reforça o desafio das autoridades locais em combater e prevenir crimes de natureza racial.
Panorama geral
Os dados do Ispe reforçam que a luta contra o racismo permanece urgente e demanda ações de conscientização, políticas públicas e fortalecimento dos canais de denúncia. Em cidades como Ilhéus, onde os números ainda chamam atenção, o debate sobre igualdade racial segue essencial para o avanço social e institucional.

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