A crise na rede municipal de ensino de Ilhéus ganhou um novo e grave capítulo jurídico nesta semana. Os vereadores Enilda Mendonça e Maurício Galvão decidiram romper o silêncio administrativo e protocolaram uma denúncia formal contra a prefeitura nos principais órgãos de controle do estado. A ação mira a gestão do prefeito Valderico Reis Jr e detalha um cenário preocupante de falta de alimentos básicos para os estudantes, o que motivou o acionamento imediato do Ministério Público da Bahia, do Tribunal de Contas e da Vara da Infância e Juventude.
A iniciativa parlamentar é fruto de uma série de fiscalizações itinerantes realizadas tanto em escolas da zona urbana quanto em unidades localizadas no campo. Com o suporte da APPI, os vereadores documentaram o esvaziamento das despensas escolares, uma situação que atinge diretamente a parcela mais vulnerável da população estudantil ilheense. A denúncia busca não apenas a punição por possíveis falhas administrativas, mas a regularização imediata do fornecimento nutricional.
O impacto pedagógico da fome nas salas de aula
Para a vereadora Enilda Mendonça, a questão vai muito além de uma falha logística. A parlamentar sustenta que a segurança alimentar é o alicerce fundamental para qualquer processo de aprendizagem. Segundo sua avaliação, a ausência de uma refeição digna nas unidades de ensino provoca um efeito dominó que resulta na queda do rendimento escolar e no aumento da evasão, já que muitos alunos dependem da merenda como sua principal fonte de nutrientes diários. A vereadora garantiu que a pressão institucional continuará até que o último quilo de alimento seja entregue nas cozinhas escolares.
Silêncio do Executivo e a busca por respostas judiciais
O vereador Maurício Galvão destacou que a judicialização do caso foi uma medida de última instância. Segundo o parlamentar, foram feitas diversas tentativas de diálogo e pedidos de esclarecimento junto ao gabinete de Valderico Reis Jr, porém nenhuma resposta concreta foi apresentada pela gestão municipal para justificar o desabastecimento. Diante da inércia do prefeito, a denúncia aos órgãos de controle tornou se o único caminho para assegurar o direito básico das crianças e adolescentes de Ilhéus.
Com o processo agora nas mãos do Ministério Público e do Tribunal de Contas, a expectativa é que a prefeitura seja compelida a apresentar um plano de contingência e a normalizar os contratos de fornecimento. O portal Mandato Bahia seguirá monitorando os desdobramentos desta crise, que coloca em xeque a eficiência da gestão pública e o compromisso com a educação básica no sul da Bahia.

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