A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo capítulo com a confirmação da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. O anúncio, feito nesta sexta-feira (5) por meio das redes sociais, não apenas encerra meses de expectativas dentro do Partido Liberal, como também redefine o jogo político da direita após a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao afirmar que recebeu do pai a “missão” de dar continuidade ao projeto político do bolsonarismo, Flávio assume publicamente o papel de herdeiro direto de um eleitorado mobilizado, fiel e ainda numeroso. “É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão”, declarou o senador, adotando uma narrativa que mistura devoção familiar, fé religiosa e crítica contundente ao governo federal.
Entre religião, crítica ao governo e herança política
No pronunciamento, Flávio Bolsonaro reforçou o tom religioso que marcou a base eleitoral de seu pai, dizendo acreditar que Deus “abre portas” e “derruba muralhas” no caminho político. Ao mesmo tempo, elevou o tom contra o governo federal, descrevendo um país tomado por instabilidade e insegurança, enquanto acusa a gestão atual de criar impostos, privilegiar estatais e falhar no combate à criminalidade organizada.
“Aposentados são roubados pelo próprio governo, narco-terroristas dominam cidades e exploram trabalhadores, e ninguém aguenta mais”, disparou, ecoando o discurso habitual do campo bolsonarista.
O movimento busca reativar a mobilização emocional de uma base que se encontra órfã da figura de Jair Bolsonaro nas urnas, ao mesmo tempo em que tenta reposicionar Flávio como continuidade natural, e inevitável, do projeto político iniciado em 2018.
Impacto imediato no PL e na estratégia da direita
Dentro do PL, a confirmação da candidatura funciona como um freio às disputas internas. Aliados do ex-presidente defendiam há meses que o nome de Flávio seria a única alternativa capaz de manter a coesão do partido e evitar rupturas. Agora, com o martelo batido, o partido se reorganiza para estruturar a pré-campanha e unificar sua base parlamentar.
O gesto também reposiciona o bloco de direita no tabuleiro nacional. Com Flávio no jogo, outros pré-candidatos conservadores recalculam estratégias, considerando o peso simbólico e eleitoral do sobrenome Bolsonaro, ainda forte em diversos estados, sobretudo no Norte e no Centro-Oeste.
Repercussão no campo governista e no centro político
Para o governo federal e para os partidos do centro democrático, a entrada de Flávio representa um cenário de maior polarização para 2026. A análise inicial aponta para uma disputa novamente centrada em dois polos antagônicos: bolsonarismo e governismo, embora siglas como PSD, MDB e União Brasil tentem ainda articular um nome competitivo capaz de romper o binarismo político.
A candidatura de Flávio também deve acelerar movimentos regionais, alianças estaduais e negociações com líderes do Congresso, já que o PL busca ampliar sua bancada e reforçar o discurso de oposição ao governo.
Um início de disputa marcado pela herança e pela fé
Ao encerrar seu pronunciamento com “Que Deus abençoe o nosso Brasil”, Flávio Bolsonaro reforça a tentativa de unir carisma religioso e legado familiar como base de sua campanha. O senador entra oficialmente na disputa carregando o peso do nome, a expectativa da militância e o desafio de transformar herança política em força eleitoral concreta.
Se a aposta dará certo, só o desenrolar de 2026 dirá. Mas, neste momento, uma coisa é certa: o tabuleiro eleitoral mudou, e o jogo está apenas começando.
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