Enquanto a população enfrenta preços abusivos na bomba de gasolina, filas no SUS e dificuldades para chegar ao trabalho, os deputados federais da Bahia parecem rodar o Brasil como se estivessem em carros de Fórmula 1 — e com o tanque pago pelo povo. Um levantamento do portal Bahia Notícias revelou que, somente no primeiro semestre de 2025, os parlamentares baianos gastaram R$ 1.068.079,28 apenas com combustíveis e lubrificantes, dentro da chamada Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP).
Isso mesmo: mais de um milhão de reais públicos queimados em gasolina, sem que a sociedade saiba, de fato, quem foi beneficiado com tanto deslocamento — ou se esses quilômetros todos realmente foram percorridos.
Os campeões da bomba: veja quem mais gastou
Entre os 39 deputados federais da Bahia, alguns nomes se destacam pela ousadia nos gastos. Lideram o ranking:
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Paulo Magalhães (PSD): R$ 56.319,16
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João Carlos Bacelar (PL): R$ 56.226,72
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Charles Fernandes (PSD): R$ 54.220,53
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Josias Gomes (PT): R$ 53.469,58
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Jorge Solla (PT): R$ 41.927,74
Vale lembrar: segundo as regras da Câmara, o limite mensal para essa despesa é de R$ 9.392,00. Ou seja, muitos deputados foram até o teto permitido durante todos os meses analisados — e ainda assim não explicam a real necessidade desses reembolsos.
R$ 1 milhão dá para quantos quilômetros?
A reportagem revela que os deputados baianos consumiram cerca de 184 mil litros de gasolina — o suficiente para rodar mais de 1,8 milhão de quilômetros. Em termos práticos, seria o mesmo que:
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Dar a volta ao mundo 45 vezes;
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Cruzar o Brasil 157 vezes de ida e volta;
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Ou abastecer a frota de ambulâncias de uma cidade de médio porte por um ano inteiro.
A farra do combustível e o silêncio da transparência
Esses gastos ocorrem em meio a um cenário de estagnação econômica, desemprego e juros altos, onde milhões de brasileiros lutam para abastecer o carro e sobreviver ao mês. Enquanto isso, os representantes do povo parecem não sentir o peso da bomba — nem o peso da consciência.
Mais grave ainda: não há auditoria prévia, justificativa detalhada ou controle público eficiente sobre essas despesas. A única exigência é a apresentação de notas fiscais. Ou seja: qualquer trajeto vira justificativa para sugar o dinheiro do contribuinte.
Na outra ponta: os que gastaram menos
É justo destacar os nomes que demonstraram maior moderação. Entre os que menos consumiram verbas para combustível estão:
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Félix Mendonça Júnior (PDT): R$ 4.544,76
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Adolfo Viana (PSDB): R$ 7.911,87
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Rogéria Santos (Republicanos): R$ 8.392,52
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Alice Portugal (PCdoB): R$ 10.158,19
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Leur Lomanto Júnior (União): R$ 10.471,18
São parlamentares que, pelo menos neste quesito, parecem mais atentos ao bom uso do dinheiro público.
O povo paga, os políticos aceleram
O abuso nos gastos com combustíveis por deputados da Bahia escancara a necessidade de urgente revisão nos critérios da cota parlamentar, maior rigor na fiscalização e transparência real sobre o uso dos recursos públicos.
Enquanto isso não acontece, fica o aviso:
o combustível que move Brasília é o seu imposto. E os freios parecem ter sido desligados.

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