O cenário político cearense e nacional ganhou um novo capítulo explosivo nesta semana. O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (67 anos) formalizou sua volta ao PSDB, partido que o elegeu governador no início dos anos 90, em um evento realizado em Fortaleza. A cerimônia, marcada por um tom combativo, serviu como palco para Ciro disparar duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aos líderes petistas no estado, como o governador Elmano de Freitas e o ministro Camilo Santana.
A Promessa de Luta e a Frase Impactante
Apesar de não confirmar sua candidatura para 2026, Ciro deixou claro que seu foco principal é reestruturar a oposição e recuperar o projeto político no Ceará.
O momento de maior impacto de seu discurso, que resumiu a intensidade de seu retorno, foi a declaração de lealdade ao estado: “Pelo Brasil eu morro, mas pelo Ceará eu mato”, afirmou o ex-ministro, sendo ovacionado por aliados e militantes.
PSDB: A Plataforma para Desafiar o Domínio Petista
A filiação de Ciro é um movimento estratégico costurado com o apoio do ex-governador Tasso Jereissati, padrinho político e um dos fundadores do PSDB. A expectativa é que Ciro assuma a presidência estadual do partido, uma clara sinalização de que o foco é a disputa pelo governo em 2026, visando confrontar o grupo petista que comanda o Executivo estadual desde 2015.
Durante o evento, Ciro não poupou palavras ao se referir aos atuais gestores do Ceará:
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Chamou o governador Elmano de Freitas de “pau-mandado e frouxo”.
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Acusou o ministro da Educação, Camilo Santana, de agir como alguém que “quer ser dono do Ceará”, prometendo publicamente: “Vou tirar sua máscara, Camilo Santana”.
A Inesperada União da Oposição
Um dos pontos mais notáveis do evento foi a união de figuras que, até pouco tempo, eram adversárias de Ciro. No palanque, ele dividiu o espaço com líderes ligados ao bolsonarismo, como o deputado federal André Fernandes (PL) e o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil).
Ciro elogiou Fernandes, a quem chamou de “jovem talento”, e destacou o papel de Wagner nas denúncias sobre o avanço de facções criminosas no estado. Ele justificou a união afirmando que, apesar das grandes divergências ideológicas, o grupo se uniu “pelo espírito público” e para fazer frente ao PT.
André Fernandes reforçou o tom de convergência, defendendo abertamente a formação de uma chapa única da oposição para as eleições de 2026.
Críticas a Lula e o Cenário Nacional
No âmbito federal, Ciro Gomes dirigiu críticas severas ao governo Lula. Ele acusou o atual governo de promover uma “roubalheira generalizada” no país, mencionando a liberação de altos valores em emendas parlamentares. Além disso, considerou uma eventual nova candidatura de Lula à Presidência em 2026, aos 81 anos, como uma “irresponsabilidade”.
O Racha Familiar
O retorno de Ciro à cena política ocorre em meio a um rompimento histórico com seu irmão, o senador Cid Gomes (PSB). Enquanto Ciro se articula contra o PT, Cid Gomes permanece como um aliado fundamental do governador Elmano de Freitas e deve apoiar a tentativa de reeleição petista, tornando o cenário eleitoral no Ceará também uma disputa familiar de alto impacto.
A base governista tem minimizado o impacto do retorno de Ciro, mas seus aliados veem na candidatura um fator capaz de reequilibrar o jogo eleitoral no estado. O movimento também marcou a filiação do ex-prefeito de Fortaleza, José Sarto, que se prepara para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

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