A Câmara de Vereadores de Ilhéus, mais uma vez, é palco de conflitos internos — desta vez, entre dois parlamentares do mesmo partido, o União Brasil, legenda que elegeu o atual prefeito, Valderico Júnior. O que deveria ser um espaço de debate qualificado e de proposições concretas para o bem coletivo tem se transformado em uma arena de vaidades, onde a política dá lugar ao espetáculo — e o mandato, a um perfil de influenciador digital.
Há cinco meses, o Executivo municipal não designa um líder de governo na Casa Legislativa — função essencial para alinhar interesses e garantir fluidez nas votações e proposições. A ausência dessa articulação revela um descompromisso com a governabilidade e prejudica o andamento de projetos estruturantes.
Nesse vácuo institucional, floresce o fenômeno que podemos chamar de “lacração parlamentar”. Em vez de proposições, há provocações. No lugar de debates técnicos, vídeos para o TikTok e falas inflamadas em lives e stories. Cada vereador atua em carreira solo, como se o plenário fosse apenas uma extensão do próprio feed pessoal.
O Executivo, por sua vez, adota uma postura preocupante: o silêncio. O prefeito parece escolher a omissão como estratégia de sobrevivência política, ignorando que o Legislativo não é adversário, mas um braço fundamental para o desenvolvimento coletivo. Ao fingir que nada está acontecendo, contribui ativamente para o esfacelamento do ambiente democrático na cidade.
O presidente Cezar Porto, com a serenidade peculiar de sua personalidade, cumpre seu papel e conduz a Casa dentro do regimento. Porém, a desordem se evidencia diante dos presentes, de parte da imprensa e, claro, na exposição constante nas redes sociais. Parece que esse, afinal, é o verdadeiro objetivo: audiência nas mídias sociais.
A política em Ilhéus parece retroceder ao tempo das capitanias hereditárias, quando o poder era exercido de forma personalista e desconectada das necessidades reais da população. A diferença é que, hoje, os coronéis digitais substituíram os antigos donatários — mas a lógica permanece.
É preciso romper com essa dinâmica. O Legislativo municipal precisa reencontrar seu propósito institucional. E o Executivo, assumir sua responsabilidade diante da crise política que paralisa a cidade.
A população não pode continuar refém de um roteiro em que o enredo é sempre o mesmo: muito barulho, pouca entrega.
União Brasil!
União Ilhéus!

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