O antigo Terminal da Brasilgás localizado no Porto de Ilhéus representa um capítulo importante da história econômica e social da cidade. A empresa se estabeleceu no município há cerca de seis décadas sob a gestão do italiano Oscar Gianelli, casado com dona Dina, com quem teve o filho Diego. Sua chegada impulsionou mudanças significativas no abastecimento de gás e na modernização dos lares ilheenses.
Nos primeiros anos de operação, a Brasilgás adquiriu uma área estratégica em frente ao Terminal da Petrobras, local onde atualmente está o Supermercado Itão. Nesse espaço funcionava a estocagem e a central de distribuição dos botijões. Em uma ação voltada para incentivar o uso do fogão a gás, a empresa alugou um ponto comercial na Rua Dom Pedro II e oferecia fogões a preços simbólicos para quem adquirisse o botijão. A iniciativa foi essencial para popularizar o GLP entre as famílias da cidade.
A distribuição nos bairros seguia um calendário quinzenal. Os caminhões percorriam as ruas tocando uma música característica e bastante incômoda, anunciando a chegada do gás. Até essa etapa o produto chegava a Ilhéus apenas por via terrestre já engarrafado.
Com o avanço das operações, foram instaladas estruturas conhecidas como grandes ampolas que recebiam o gás transportado por navios apropriados. Essas embarcações permaneciam fundeadas fora do porto conectadas ao ponto de atracação do gasoduto marítimo. A instalação ficava na área portuária em frente ao antigo Clube Social de Ilhéus.
Com a implantação do gasoduto Cacimbas Catu, o terminal foi desativado e o engarrafamento passou a ser realizado na cidade de Itabuna, encerrando um ciclo histórico no Porto de Ilhéus.
Durante o período de funcionamento do terminal, recordo apenas um sinistro relevante ocorrido fora da área da empresa. Um caminhão que aguardava para ser carregado pegou fogo depois que o motorista utilizou um pequeno fogão para preparar sua refeição. Registrei imagens do incêndio que danificou totalmente o letreiro do Clube Social em razão da intensidade das chamas.
A presença da Brasilgás em Ilhéus também deixou marcas fora do contexto operacional. A família Gianelli, por exemplo, construiu a primeira casa do Loteamento Boa Vista antes de retornar à Itália, encerrando sua participação como pioneiros desse período de desenvolvimento energético da cidade.
A história do antigo terminal permanece viva na memória de quem acompanhou suas atividades e simboliza uma fase de transformações tecnológicas e de expansão urbana que marcaram Ilhéus ao longo do século vinte.
Acompanhe as principais notícias de Ilhéus

Comentários: