Após acusar, de maneira precipitada e injusta, o governador Jerônimo pelos recentes crimes ocorridos em Ilhéus — sem reconhecer sua própria responsabilidade como chefe do Executivo municipal — o prefeito Valderico Luiz Reis Júnior repete o estilo oportunista de seu líder político, ACM Neto, e perde o timing necessário para adotar medidas efetivas.
Enquanto vereadores da cidade se abstiveram de discursos meramente retóricos e se deslocaram a Salvador para dialogar diretamente com o secretário estadual de Segurança Pública — a maior autoridade do setor no Estado — em busca de soluções práticas para os problemas locais, o prefeito, em notável atraso, tenta reposicionar-se no debate.
Sua ida à capital, portanto, revelou-se mais um gesto performático do que um movimento estratégico. Limitou-se a “fazer fotinhas” para as redes sociais, sem apresentar qualquer proposta municipal para o enfrentamento da criminalidade, tampouco um programa consistente de assistência social aos moradores em situação de rua — que, evidentemente, não podem ser reduzidos à condição de criminosos e merecem políticas humanitárias de prevenção de vulnerabilidades.
Em contraposição, o governador Jerônimo adota postura apartidária na condução da segurança pública, priorizando resultados objetivos em vez de ganhos eleitorais imediatos. Essa diferença de conduta evidencia, de forma cristalina, a urgência de que lideranças locais assumam suas responsabilidades, em vez de transferirem culpas ou tentarem apropriar-se de conquistas que não lhes pertencem.

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