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Segunda-feira, 01 de Junho de 2026
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Política

OUTROS TEMPOS, OUTRAS MOEDAS POLÍTICAS

Coluna Hélio Ricardo

Hélio Ricardo
Por Hélio Ricardo
OUTROS TEMPOS, OUTRAS MOEDAS POLÍTICAS
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A política, assim como a vida, é feita de ciclos. Há períodos em que a lealdade pesa mais do que a conveniência e outros em que a vaidade fala mais alto do que a palavra empenhada. O episódio envolvendo a declaração do ex-prefeito Jabes Ribeiro, ao afirmar que aguardará “até o final de janeiro” uma definição pública do prefeito Valderico Júnior sobre o apoio a Cacá Leão, não é apenas um fato político isolado.

Trata-se, na verdade, de um sintoma de um tempo novo, vivido ainda sob práticas antigas.
Quando Jabes cobra um prazo, ele não se posiciona apenas como ex-prefeito ou liderança partidária. Fala como alguém moldado em uma política em que os acordos tinham valor simbólico e estratégico, e em que o tempo era instrumento de confiança, não de desgaste. Ao afirmar que “não dá mais”, o que está em jogo não é somente a escolha de um candidato a deputado federal, mas a corrosão silenciosa dos pactos políticos em Ilhéus.

Do ponto de vista da comunicação política e aqui falo como publicitário a indefinição é sempre mais danosa do que uma decisão impopular. A ausência de posicionamento comunica fraqueza, insegurança e, sobretudo, medo de desagradar. A política, porém, não perdoa quem tenta agradar a todos enquanto adia escolhas fundamentais.

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Jabes deixa claro que o prazo não se configura como uma imposição ao União Brasil, mas como uma necessidade interna do Progressistas. Ainda assim, o recado público tem endereço certo: acordos não sobrevivem apenas da retórica da conciliação; exigem gestos concretos. Quando ele alerta que o partido pode “começar a perder os companheiros”, traduz, de forma direta, o que todo estrategista político sabe: base política não espera indefinidamente, ela migra.

O aspecto mais revelador, contudo, está nas entrelinhas. Ao afirmar que trabalha com o “plano A”, mas que não pode fazer política “sem opções”, Jabes expõe uma verdade incômoda: a política contemporânea é menos romântica e mais pragmática. Não se trata mais de fidelidade cega, mas de sobrevivência política.
Isso diz muito sobre as gerações que hoje ocupam ou disputam o poder.

Vivemos outros tempos. A ganância, muitas vezes, se sobrepõe à lealdade. A vaidade insiste em preservar extratos de poder que já não reluzem como antes. Há quem ainda jogue olhando pelo retrovisor, acreditando que o passado garante o futuro. No entanto, o eleitor, o militante e até os aliados já estão com os olhos voltados para frente.

No fim, ao comparar a relação política a um casamento, Jabes toca no ponto central: não existe paz unilateral. A política, assim como qualquer relação duradoura, exige diálogo, decisão e, acima de tudo, coragem para assumir posições. Adiar indefinidamente não é neutralidade; é comunicação de ausência.

E ausência, em política, quase sempre cobra um preço alto.

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