A corrida eleitoral já começou. Desde este domingo, 16 de agosto, cores, artes, estratégias, jingles, filmes, discursos e diferentes narrativas vão conviver intensamente até o dia 4 de outubro, data da votação.
O brasileiro gosta de política. Gosta de discutir, opinar, defender suas ideias e falar em favor dos candidatos em quem acredita. O período eleitoral movimenta as ruas, as redes sociais, as conversas entre amigos e, principalmente, a esperança de que o voto possa transformar a realidade.
Mas existe uma pergunta que precisa estar presente durante toda essa caminhada: qual representante estamos realmente buscando?
É preciso olhar além da propaganda. O marketing tem o poder de apresentar o melhor produto, criar conexão, emocionar e despertar atenção. Mas, quando falamos de política, existe algo que não pode ser produzido artificialmente: a verdade.
Discurso precisa encontrar a prática. A imagem precisa encontrar a história. A promessa precisa encontrar capacidade de realização. E a comunicação precisa estar acompanhada de consciência.
Um candidato não deve ser conhecido apenas pelas cores de sua campanha, pelo jingle que mais toca ou pelo vídeo que mais emociona. É importante conhecer sua trajetória, suas posições, sua atuação pública, suas escolhas e, sobretudo, aquilo que fez antes de pedir novamente a confiança do eleitor.
As redes sociais se tornaram uma ferramenta fundamental nesse processo. Elas permitem que o cidadão acompanhe, questione, compare informações, conheça melhor os candidatos e participe do debate público. Mas também exigem responsabilidade. Informação precisa ser checada, discursos precisam ser confrontados com fatos e a emoção não pode substituir a consciência.
Também cabe ao candidato fazer a sua parte.
É preciso caminhar, conversar, ouvir, entrar nas comunidades, conhecer suas necessidades e compreender que cada território tem sua própria realidade. Mais do que falar para as pessoas, é necessário escutar as pessoas.
A política não pode ser construída somente diante das câmeras. Ela precisa existir também quando não há câmera, quando não há palanque, quando não há aplausos.
Porque autoridade política não nasce apenas da quantidade de seguidores. Nasce da confiança construída ao longo do tempo, da coerência entre aquilo que se diz e aquilo que se faz, da capacidade de dialogar e do compromisso de estar presente.
E mais: o eleitor também tem uma responsabilidade enorme nessa história.
Não devemos entregar nosso voto apenas àquele que comunica melhor. Precisamos observar quem tem propostas, quem possui trajetória, quem demonstra compromisso e quem está disposto a prestar contas.
A democracia amadurece quando o eleitor deixa de ser apenas espectador da campanha e passa a ser protagonista da escolha.
Até 4 de outubro, veremos muitas cores, muitos slogans, muitos jingles, muitos discursos e muitas promessas.
Que saibamos olhar para além deles.
Porque, no fim, a pergunta mais importante não é apenas “quem conseguiu fazer a melhor campanha?”
É:
Quem está preparado para representar?
Quem tem coerência entre discurso e prática?
Quem conhece a realidade que pretende transformar?
E, principalmente, quem merece a nossa confiança?
A eleição passa. A propaganda termina. Os jingles deixam de tocar.
Mas o mandato, as decisões e as consequências das nossas escolhas permanecem.
Votar também é um exercício de consciência.
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