"Não há mais clima para a permanência de Wagner como líder do governo no Senado", foi o título da Coluna Wense de 1 de maio de 2026, o primeiro dia do quinto mês do calendário gregoriano.
Estava me referindo a uma aliança entre os senadores Jaques Wagner e David Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado. Deu no que deu: o nome de Jorge Messias, indicado para o STF pelo presidente Lula, não foi aprovado pelo plenário da Câmara Alta.
Concluir o comentário, obviamente no último parágrafo, dizendo que "a confiança, uma vez quebrada, não volta a ser mais a mesma".
O título da coluna de 1 de maio se encaixaria como uma luva na de hoje, 19 de junho de 2026, sendo que o fato é muito mais grave: fortes indícios de que Wagner recebeu pagamentos do Banco Master, cujo dono era Daniel Vorcaro, amigo do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
O lulismo vai ter que escolher se fica ao lado do companheiro Wagner ou da reeleição. Sua permanência como líder do governo na Casa Legislativa significa o enterro do quarto mandato do petista-mor. O sonho da conquista do governo Lula 4 se transformaria em um inominável pesadelo.
Wagner, carinhosamente chamado de Galego pelo companheiro Lula, é alvo da operação Compliance, que investiga um esquema de corrupção, fraudes bilionárias e lavagem de dinheiro pelo Banco Master.
O problema é que Jaques Wagner parece disposto a jogar a lama do escândalo no colo de Lula. Em vez de pedir demissão da função de líder, vai criando constrangimento ao companheiro.
Veja, caro e atento leitor, o que diz Wagner ao ser questionado sobre sua permanência como líder: "A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje. Acho, sinceramente, que ele não irá mexer na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim".
Wagner, que deveria pedir demissão, coloca Luiz Inácio Lula da Silva entre a cruz e a espada, entre o chega pra lá no companheirismo e sua reeleição.
Se o governo Lula 3 não seguir o conselho de que a investigação contra Wagner deve ser assentada no princípio do "doa a quem doer", a reeleição vai para o brejo.
Em todo esse imbróglio, o ponto positivo para o lulismo é lançar mão do discurso de que a Polícia Federal tem autonomia e independência.
O então presidente Jair Messias Bolsonaro, quando soube que seus filhos eram alvos da Polícia Federal, trocou o comando da Direção-Geral por quatro vezes. Foi o principal motivo que fez o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, hoje ferrenho bolsonarista, a pedir sua exoneração.
O ex-juiz da Lava Jato, hoje senador da República, se autointitula como o "paladino da moralidade", esquecendo do ditado popular "diga com quem andas que direi quem tu és".
O presidenciável Flávio Bolsonaro, ao se pronunciar sobre o envolvimento de Wagner com Daniel Vorcaro, declarou que a Polícia federal "implodiu o PT da Bahia". Esquece que o PL está sendo implodido por ele e pelo irmão Eduardo Bolsonaro, o "pai brasileiro" do tarifaço.
Concluo dizendo que só a política proporciona um gigantesco cinismo. O saco da farinha é o mesmo. As bananas são do mesmo cacho. É tudo como dantes no quartel de Abrantes.
O sujo falando do mal lavado. E assim caminha a República Federativa do Brasil.
PS - Ministros e lideranças políticas, principalmente do PT, com o aval do presidente Lula, têm a missão de convencer Jaques Wagner a deixar a função de líder do governo no Senado. A unânime opinião é que não tem outro caminho que não seja o de entregar o cargo, sob pena do ex-governador da Bahia ser considerado o culpado-mor pela não reeleição do companheiro Lula.

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