"Teremos novidades em 15 ou 20 dias", disse Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, se referindo a um pedido de revisão criminal apresentado pelos advogados do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
O otimismo do "comandante" do PL, que coloco entre aspas porque quem manda no partido é Bolsonaro, está assentado no exemplo Lula. Veja abaixo a declaração de Valdemar.
"Tudo pode acontecer. Quando Lula estava preso, alguém imaginou que ele pudesse ser solto e ser candidatar?". Finaliza dizendo que "na política brasileira mudanças inesperadas já aconteceram".
O problema é que a diferença entre o "caso Lula", que passou 580 dias preso, e o "caso Bolsonaro", condenado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, tem um "porém" que se chama Sérgio Moro, então juiz da Operação Lava Jato.
Até as freiras do convento das Carmelitas sabem que Moro conduziu todo o processo com uma parcialidade que saltou aos olhos, escancarada. Deu no que deu: Lula solto, elegível e eleito presidente da República.
Mouro fez da sua atuação na Lava Jato um trampolim para entrar na política, se transformando no maior "cabo eleitoral" do bolsonarismo. Seu esforço foi compensado: foi nomeado ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Logo depois defenestrado do cargo sem dó e piedade.
O que chamou atenção na declaração de Valdemar, que já foi lulista de carteirinha, envolvido no escândalo do mensalão junto com o petista José Dirceu, foi seu otimismo de que a revisão criminal pode ter "novidades".
A esperança de Valdemar está no fato de que o recurso foi distribuído aos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, o terrivelmente evangélico, ambos indicados pelo então presidente Bolsonaro.
Nas entrelinhas, Valdemar Costa Neto considera como favas contadas uma decisão favorável a Bolsonaro, já que os ministros foram indicados pelo então chefe do Palácio do Planalto. Devem o favor da indicação.
O tiro da insinuação de Valdemar da Costa Neto pode sair pela culatra. Não acredito que os ministros Kassio e Mendonça sejam um "Moro da vida".
Valdemar ainda teve a petulância de dar um prazo para o desfecho do pedido de revisão criminal: "15 ou 20 dias".
E assim caminha a República Federativa do Brasil.

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