A melhor coisa que poderia acontecer para o presidente Lula (PT) foi acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Parlamento que derrubou o decreto do IOF.
A oposição diz, em tom de ameaça, que o governo, ao recorrer a Alta Corte, instância máxima do Poder Judiciário, comprou uma briga com o Congresso.
Salta aos olhos que o PL, abrigo partidário do ex-presidente Bolsonaro, é o maior interessado pela política do "quanto pior, melhor".
Mais cedo ou mais tarde, o governo Lula 3 teria que se libertar do centrão. Estava ficando vergonhoso um governo acuado, refém do toma lá, dá cá.
A judicialização do decreto do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pode se transformar no marco da coragem no enfrentamento a um Congresso Nacional que se acha o todo poderoso da República.
Vou mais longe: é melhor o governo ter dificuldades em aprovar o que envia para o Parlamento do que ficar nessa submissão, em uma dependência vergonhosa, de braços cruzados.
Ora, ora, qual é o problema em recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) de uma decisão do Parlamento? Qual é o desrespeito que tem?
O pega-pega governo Lula versus Congresso Nacional, com o PL jogando lenha na fogueira, tende a ficar acirrado. Lembrando ao caro e atento leitor que o ministro Alexandre de Moraes deverá ser o relator da ação do governo para anular a decisão do Parlamento.
Concluo com a opinião do bom e conceituado jornalista Josias de Souza: "Ao optar por recorrer ao Supremo contra a derrubada do reajuste do IOF no Congresso, Lula sinalizou aos rivais que não se deixará fritar".
PS (1) - Não será nenhuma novidade se o centrão se juntar ao PL e começar a falar de impeachment do presidente Lula, mesmo que não exista nenhum motivo que justifique um pedido de afastamento.
PS (2) - Toda essa rebeldia do Congresso Nacional decorre de uma significativa queda nas intenções de voto no presidente Lula. Se o petista-mor estivesse bem posicionado nas enquetes, o Parlamento teria outra atitude.
PS (3) - A fraqueza política do governo Lula 3 permite até que partidos com ministros, que já deram sinais que não vão apoiar Lula na reeleição, continuem na Esplanada dos Ministérios.

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