A turma da direita, mais especificamente do centrão, movimento político caracterizado pelo toma lá, dá cá, vai oxigenando a expressão "Congresso, inimigo do povo" da turma da esquerda.

A direita, não necessariamente a bolsonarista, que ainda acredita que Jair Messias Bolsonaro é mesmo um "mito", vai atirando no próprio pé.

Os senhores David Alcolumbre (União Brasil-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), respectivamente presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, estão dando prioridade a PL da Dosimetria em detrimento da PEC da Segurança e o Projeto de Lei Antifacção.
A diminuição das penas dos que atentaram contra o Estado Democrático de Direito, jogando a Lei Maior na lata do lixo, tem mais importância do que a preocupante crise na segurança pública, que caminha a passos largos para ficar incontrolável.
E o pior é que a tal da dosimetria, do jeito que está sendo irresponsavelmente proposta, vai beneficiar quem cometeu crimes de corrupção, ambientais e até sexuais.
Salta aos olhos que o ex-presidente Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe pelo Supremo Tribunal Federal (STF), terá sua pena reduzida. Como consequência, o enfraquecimento da inelegibilidade.

Quem vem tendo uma atuação de destaque contra o Projeto de Lei da Dosimetria é Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, abreviadamente CCJ. Otto quer que Alcolumbre tenha uma posição mais transparente sobre o assunto. Otto já mandou um recado para Alcolumbre: "PL da Dosimetria não passará nem na CCJ nem no Senado".
Pelo andar da carruagem, o grito de guerra da esquerda, de que o Congresso é inimigo do povo, vai continuar. Lembrando ao caro e atento leitor que pesquisas apontam que a credibilidade do Parlamento brasileiro está em baixa.
Outro lembrete é que os trabalhos nas duas Casas Legislativas - Senado e Câmara dos Deputados - encerram na próxima sexta-feira. O retorno só em fevereiro de 2026.
Desejo aos parlamentares boas férias, que o descanso sirva para uma reflexão de que o interesse do povo está acima das conveniências políticas, do enraizado e inabalável corporativismo.
"Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes", preceitua o artigo 2° da Constituição Federal. Que os senhores parlamentares tenham juízo

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