O medo do bolsonarismo com uma delação de Daniel Vorcaro lembra o do lulismo em relação a Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda do então governo Lula.
Em 2018, no âmbito da Operação Lava Jato, Palocci fez graves acusações ao "companheiro" Lula e outros políticos, como de corrupção e financiamento ilícito de campanhas, via escândalo do mensalão.
Um "apontar o dedo" de Vorcaro, com uma delação premiada, assentada em robustas e inquestionáveis provas, pode ser mortal para Flávio Bolsonaro, lideranças políticas do governismo e da oposição e ministros do STF. Seria um "salve-se quem puder".
Lembrando ao caro e atento leitor que Vorcaro chamava o número 1 de "irmãozão". O primogênito de Jair Messias Bolsonaro visitou o amigo na sua residência, que já se encontrava com tornozeleira eletrônica. Foi prestar solidariedade.
Uma delação de Vorcaro pode revelar detalhes da conversa com Flávio, mais especificamente sobre o pedido de milhões de reais, a dinheirama para bancar o filme sobre a vida do ex-morador do Alvorada.
Dizer que o dinheiro do "Dark Horse" é privado, é como afirmar que já viu um ovo quadrado, seja ele de galinha ou de codorna.
Vorcaro, em momentos de fúria, ameaça explodir a República com novas revelações sobre ministros da Alta Corte, a instância máxima do Poder Judiciário, que tem a precípua função de proteger a Lei Maior. O Tribunal é o guardião da Constituição.
Vorcaro, segundo a revista Veja, mandou o seguinte recado para ao STF: "Se seu pai, o empresário Henrique Vorcaro, não for colocado em liberdade, revelará fatos sobre diferentes poderosos".
O recado dos advogados de Vorcaro, ex-dono do Banco Master e protagonista do maior escândalo financeiro da história da República, é assustador: "Daniel não tem nada a perder".
A Veja diz também que o dono do Master "teria fotos, recibos de pagamentos e outros papeis que desmentiriam, por exemplo, seu suposto distanciamento de figuras do STF, da PGR e da PF e confirmariam, com detalhes, o que já é público".
O pedido de Daniel Vorcaro ao presidente do STF, Edson Fachin, para que o ministro André Mendonça julgue a solicitação de prisão domiciliar humanitária, vai colocar o "terrivelmente evangélico" em um contexto complicado.
A situação de Mendonça, que teve a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como "madrinha" da sua indicação para o STF, é do "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come".
A delação de Vorcaro pode tomar outro caminho se o pedido de prisão domiciliar for negado. Por outro lado, aceitar o pedido seria desastroso, oxigenaria a sensação de impunidade, de que "o crime compensa".
Outro lembrete é que o Instituto Inter, ligado ao ministro André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, que tem como dono o empresário Lucas Kallas, que mantinha negócios com Vorcaro, via Banco Master.
Todo esse bafafá, que vai levando o Brasil a uma preocupante crise institucional, nos leva a afirmar, de maneira peremptória e incisiva, que uma reforma no Judiciário se faz urgente e imprescindível, começando logo com os critérios para a indicação para o STF pelo presidente da República de plantão. Intocáveis só os da reputação ilibada e do notável saber jurídico.
É triste e lamentável o viés político do Egrégio Tribunal com alguns ministros sendo rotulados de bolsonaristas e petistas. A honrosa instituição, um dos pilares do Estado Democrático de Direito, não pode ter sua imagem maculada por seus membros.
E assim caminha a República Federativa do Brasil.
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