Em carta aberta de apoio a Edinho Silva para a presidência nacional do PT, José Dirceu, ex-deputado federal e ex-ministro da Casa Civil do primeiro governo Lula, cobrou do partido a conclusão da "revolução social brasileira".
Conclusão? Ora, ora, o PT sequer iniciou essa "revolução social". Tinha tudo para promovê-la, mas se acovardou diante do poder das elites. "O governo do PT é galinha que cacareja para a esquerda, mas bota ovos para a direita", dizia o saudoso e inesquecível Leonel Brizola.
Dirceu fala em "unificar a esquerda". Que esquerda? PCdoB, PSB, PSOL e PV estão no governo Lula 3, de mãos dadas na missão de reeleger o presidente Lula. A não ser que Dirceu esteja se referindo ao PSTU, PCO e PCB.
O caro e atento leitor perguntaria sobre o PDT. A legenda é de centro-esquerda, não se enquadra nesse esquerdismo ao modo José Dirceu.
O ex-conselheiro de Lula defende uma reforma agrária mais aguda. Assunto que o presidente Lula evita falar para não atrapalhar a difícil missão de conquistar parte do eleitorado do agronegócio, sem dúvida o mais fiel ao bolsonarismo.
José Dirceu passa a ser uma grande preocupação para o lulismo conservador, que quer o governo do PT como aquela galinha mencionada por Brizola, que cacareja para a esquerda, mas bota ovos para a direita.
Falar de "Revolução Social" com um governo refém do centrão, do toma lá, dá cá, é uma piada. Acorda, José Dirceu !

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