O deputado estadual e líder do Governo na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Rosemberg Pinto (PT), subiu o tom contra as recentes movimentações da oposição baiana. Em entrevista à Rádio Baiana FM nesta quarta-feira (8), o parlamentar ironizou a renúncia de José Carlos Aleluia (Novo) à disputa pelo Governo do Estado para apoiar ACM Neto (União Brasil), classificando o movimento como uma estratégia puramente publicitária.
Para Rosemberg, a desistência não representa uma novidade política, mas sim a formalização de um alinhamento que já existia nos bastidores.
Críticas à composição da oposição e rótulo de "bolsonarista"
Durante a entrevista, o líder governista afirmou que a tentativa de vender uma "união da oposição" é artificial. Segundo ele, os principais nomes do grupo compartilham a mesma matriz ideológica, independentemente das siglas que ocupam.
"Alguém acredita que José Carlos Aleluia e ACM Neto estavam em posições diferentes? São bolsonaristas, conservadores, uma chapa extremamente conservadora, com uma visão 99% bolsonarista", declarou o deputado.
Rosemberg defende que a estratégia de marketing visa criar um fato político sobre uma coesão que, em sua visão, "nunca esteve separada".
Embate direto com Bruno Reis e ACM Neto
O deputado petista também direcionou críticas ao prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e ao ex-prefeito ACM Neto. Rosemberg sugeriu que existe uma falta de transparência por parte das lideranças do União Brasil em relação ao apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O parlamentar lamentou o que chamou de "papel" desempenhado por Bruno Reis na articulação política. Segundo Rosemberg, Neto e a família Bolsonaro orientam as ações do prefeito de Salvador, que, embora tenha uma trajetória de esforço pessoal semelhante à sua, estaria se sujeitando a posições ditadas pelo grupo político liderado pelo ex-prefeito.
"Ele [ACM Neto] não tem coragem de assumir publicamente que é bolsonarista, que defende Bolsonaro, que quer o Brasil nessa linha, e empurra o amigo Bruno Reis, que se sujeita a esses papéis", afirmou o petista.
Contexto Eleitoral e o "Fator Master"
As declarações de Rosemberg ocorrem em um momento de alta temperatura política na Bahia, alimentada pelas revelações do Caso Master. Recentemente, o portal Metrópoles revelou que áreas apresentadas em negociações nunca haviam pertencido ao Banco Master, o que tem sido utilizado pela base governista para desgastar a imagem de ACM Neto, devido à sua consultoria prestada à instituição financeira.
Com a consolidação da chapa governista (Jerônimo Rodrigues e Geraldo Jr.) e a oficialização da união da oposição (Neto e Aleluia), o debate agora se concentra na tentativa de cada lado em rotular o adversário: de um lado, a oposição foca nos índices de rejeição ao PT; do outro, o governo foca na vinculação direta da oposição ao bolsonarismo e a investigações financeiras.

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