Novo levantamento nacional do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta segunda feira (30), indica uma oscilação negativa na percepção do eleitorado brasileiro sobre a continuidade do governo atual. Segundo os dados, o percentual de eleitores que afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não merece ser reeleito subiu para 53,3% em março, consolidando uma tendência de alta iniciada no começo do ano.
Em fevereiro, esse índice de rejeição à recondução era de 52,2%, enquanto em janeiro o número estava em 51%. O crescimento de mais de dois pontos percentuais no primeiro trimestre de 2026 ocorre em um momento de intensas articulações políticas e anúncios de pré candidaturas de oposição, como a oficialização de Ronaldo Caiado pelo PSD.
Queda na intenção de continuidade e recortes regionais
No sentido oposto, a parcela da população que defende a reeleição do líder petista apresenta retração. O índice de aprovação para um novo mandato, que era de 45,3% em janeiro, caiu para 43,9% em fevereiro e agora atinge 43,7%. O grupo dos que não souberam ou não responderam soma apenas 3% dos entrevistados.
A análise geográfica dos dados revela uma divisão profunda no território nacional:
-
Sul: É a região com maior resistência à reeleição, onde 66,1% dos eleitores dizem que Lula não merece um novo mandato.
-
Norte e Centro-Oeste: Apresentam índice de 59,5% contrários à permanência do petista.
-
Sudeste: A rejeição atinge 53,6% dos entrevistados.
-
Nordeste: Segue como o principal reduto de apoio, sendo a única região onde a maioria (54,8%) considera que o presidente merece ser reeleito, contra 42,6% que discordam.
Metodologia e cenário para 2026
O levantamento detalha o humor de diferentes nichos do eleitorado em um período marcado por discussões econômicas e o lançamento de nomes da direita e centro direita no tabuleiro sucessório. A margem de erro e o nível de confiança da pesquisa sugerem que a vantagem do sentimento de alternância de poder está fora do limite estatístico de empate.
A pesquisa foi realizada entre os dias 25 e 28 de março de 2026, com a participação de 2.080 eleitores em diversas unidades da federação. O estudo está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR 00873/2026, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Impacto nas estratégias de governo
Os números chegam ao Palácio do Planalto no mesmo dia em que o ministro Rui Costa defendeu, em Salvador, que o eleitor de centro apoiará o governo por "bom senso". A tendência de alta na rejeição deve forçar a articulação política do governo a rever estratégias de comunicação e entregas regionais, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, onde os índices de desaprovação à ideia de um quarto mandato são mais acentuados.
