A tensão começou no sábado, 22 de agosto, durante um comício realizado em Ribeira do Pombal. João Bacelar subiu ao palanque de Jerônimo Rodrigues e declarou publicamente que apoiará a tentativa de reeleição do governador.
O parlamentar também apareceu no evento usando um adesivo com o número 13, referência à candidatura do PT. O ato reuniu lideranças políticas da região e integrantes da base de Jerônimo, incluindo os candidatos ao Senado Jaques Wagner e Rui Costa.
Segundo relatos publicados após o evento, o público chegou a aproximadamente 10 mil pessoas, com a presença de prefeitos e ex prefeitos de municípios da região.
O episódio ganhou peso político porque Bacelar pertence justamente ao partido que, na disputa pelo Governo da Bahia, está no campo adversário de Jerônimo.
Valdemar fala em expulsão e corte de recursos
A direção nacional do PL não tratou o episódio como uma simples manifestação individual de um parlamentar.
Em entrevista ao programa Frequência News, da rádio Morena 98,7 FM, Valdemar Costa Neto afirmou que o deputado precisará explicar sua decisão ao partido. O dirigente também lembrou que existe uma orientação interna contra o apoio de filiados a candidatos considerados de esquerda.
Valdemar indicou que a situação poderá chegar ao Conselho de Ética e que a análise poderá resultar em diferentes consequências para Bacelar. Entre elas estão a expulsão do partido e o corte de recursos partidários.
A direção nacional, porém, ainda não anunciou qualquer punição. O processo depende da manifestação do deputado e da avaliação das instâncias internas da legenda.
Leandro de Jesus cobra punição
A reação também partiu de dentro do próprio PL na Bahia.
O deputado estadual Leandro de Jesus, candidato à Câmara Federal, classificou a atitude de Bacelar como um caso de infidelidade partidária e defendeu que o parlamentar seja responsabilizado pela legenda.
Leandro afirmou que a direção nacional teria encaminhado anteriormente uma orientação aos diretórios do partido proibindo manifestações de apoio a partidos e candidatos de esquerda durante a eleição.
A cobrança aumenta a pressão sobre Bacelar justamente no momento em que a campanha eleitoral começa a ganhar corpo na Bahia.
O que está em jogo para João Bacelar
A situação de Bacelar tem uma particularidade importante. O deputado não apenas manifestou simpatia por Jerônimo, mas participou de um ato eleitoral e declarou apoio explícito à reeleição do governador.
Isso torna o episódio politicamente mais sensível dentro do PL, já que a legenda tem uma estratégia eleitoral definida na Bahia.
O partido apoia ACM Neto para o Governo do Estado, enquanto João Bacelar decidiu publicamente caminhar com o principal adversário da candidatura apoiada pela própria sigla.
A questão agora é saber se o PL tratará o caso como uma divergência individual ou como uma violação das orientações partidárias capaz de justificar uma punição mais severa.
Um movimento que expõe as contradições da eleição baiana
O caso Bacelar também revela uma característica tradicional da política da Bahia: as alianças locais nem sempre reproduzem fielmente os acordos nacionais das legendas.
Em uma eleição marcada pela disputa entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, parlamentares, prefeitos e lideranças podem fazer movimentos próprios para preservar suas bases eleitorais e relações políticas nos municípios.
No caso de Bacelar, entretanto, a decisão ganhou dimensão nacional porque envolve o PL, uma das principais forças políticas do campo conservador, e um apoio público a um governador do PT.
A reação de Valdemar demonstra que a direção nacional pretende preservar uma linha política mais rígida durante a campanha.
Conselho de Ética será decisivo
Por enquanto, não há expulsão definida.
O próximo passo deverá ser a manifestação de João Bacelar e, posteriormente, a avaliação das instâncias responsáveis dentro do PL. O Conselho de Ética poderá analisar as circunstâncias do episódio e recomendar uma medida ao partido.
Até que esse processo seja concluído, qualquer afirmação sobre a saída definitiva do deputado da legenda deve ser tratada como possibilidade, e não como decisão tomada.
O episódio, no entanto, já produziu um efeito político importante: colocou em evidência as divergências existentes dentro do PL baiano e abriu mais uma frente de disputa na corrida pelo Governo da Bahia.

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