Em mais um capítulo do teatro institucional brasileiro, o governo Lula rejeitou a proposta dos Estados Unidos para classificar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A justificativa? “Falta de motivação ideológica”. Como se o terror praticado nas periferias, prisões e até mesmo em outros países não fosse suficiente para repensar essa definição ultrapassada.
A proposta americana, feita ainda na era Trump e renovada por autoridades do Departamento de Estado, visava aplicar a legislação antiterrorismo dos EUA contra esses grupos. Com presença comprovada em ao menos 12 estados americanos, segundo o FBI, as facções brasileiras não só exportaram sua violência, como também seus esquemas de lavagem de dinheiro para além das fronteiras. E o que o Brasil faz? Vira o rosto.
A resposta oficial do governo brasileiro é quase surreal: as facções visam lucro, não ideologia. Portanto, não são terroristas. Com esse raciocínio, o narcotráfico internacional, o tráfico humano, e qualquer organização que espalhe pânico e morte pelo simples desejo de ganhar dinheiro, não deve ser enquadrado como terrorismo. Será mesmo?
É uma posição que revela mais do que cautela jurídica — revela uma falta de coragem política. Afinal, reconhecer essas facções como terroristas exigiria uma ação institucional mais dura, tanto no campo interno quanto diplomático. Exigiria admitir que o Brasil abriga grupos tão poderosos e destrutivos quanto aqueles que o Ocidente combate no Oriente Médio.
Enquanto isso, nas comunidades dominadas pelo crime, policiais continuam morrendo, civis continuam reféns, e o Estado continua ausente — ou pior, cúmplice por omissão. A mensagem que se passa, tanto para dentro quanto para fora do país, é clara: o Brasil ainda prefere amenizar o problema do que enfrentá-lo de frente.
A decisão de rejeitar a proposta americana pode até encontrar respaldo técnico nas entrelinhas da legislação, mas está moralmente desconectada da realidade. Quando o lucro se sobrepõe à vida, quando o medo cala bairros inteiros, quando o Estado é desafiado por comandos paralelos, isso não é só crime. É terrorismo sim — e dos mais perversos.
Enquanto a diplomacia lava as mãos, o povo continua sangrando.
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