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Segunda-feira, 01 de Junho de 2026
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Diretora e duas funcionárias de escola são indiciadas após morte de adolescente e denúncias de bullying em Ilhéus

Inquérito da Polícia Civil aponta indícios de omissão e pressão psicológica contra estudante de 14 anos que relatava perseguição e isolamento dentro do ambiente escolar.

Mandato Bahia
Por Mandato Bahia
Diretora e duas funcionárias de escola são indiciadas após morte de adolescente e denúncias de bullying em Ilhéus
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A Polícia Civil da Bahia concluiu o inquérito que investiga a morte da estudante Maria Eduarda Suzarte Nascimento Silva, de 14 anos, e decidiu indiciar três profissionais do Colégio Status, em Ilhéus, no sul do estado. Entre as pessoas responsabilizadas estão a diretora da instituição, a coordenadora pedagógica e a psicóloga escolar.

De acordo com a investigação, as três foram indiciadas pelo crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou automutilação, com resultado de lesão corporal gravíssima. A diretora também foi indiciada por injúria e racismo, após relatos de comentários ofensivos e discriminatórios relacionados à adolescente.

A jovem, que cursava o 9º ano, morreu em 11 de junho de 2025, após um episódio em que atentou contra a própria vida. Antes disso, ela teria confidenciado a pessoas próximas que estava passando por forte sofrimento emocional ligado a situações vividas dentro da escola.

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Investigação reuniu dezenas de depoimentos

O inquérito foi conduzido pela 1ª Delegacia Territorial de Ilhéus e incluiu a oitiva de mais de 40 pessoas, entre alunos, ex-alunos, professores, funcionários e familiares. O objetivo foi reconstruir o ambiente escolar e compreender as circunstâncias que antecederam a morte da adolescente.

Durante a apuração, a família entregou à polícia o tablet utilizado pela estudante, onde foram encontrados registros de conversas com amigos. Nas mensagens, a jovem relatava episódios de perseguição, constrangimento e desconforto no colégio.

Também foram identificadas mensagens trocadas com um estudante de 17 anos que demonstrava interesse pela garota. Segundo relatos da família, a adolescente teria sofrido importunação e pressão psicológica após reagir às investidas do colega.

Família relata isolamento e humilhações

Os pais da estudante afirmam que procuraram a direção da escola depois que a filha contou que estava sendo seguida por um colega dentro da instituição. A família esperava providências para garantir a segurança da adolescente.

Segundo os relatos apresentados à polícia, a situação teria se agravado após o episódio. A jovem passou a enfrentar comentários ofensivos, constrangimentos e isolamento dentro do ambiente escolar, o que teria afetado profundamente seu estado emocional.

Em depoimento, a mãe disse que encontrou cartas e mensagens nas redes sociais da filha que indicavam sofrimento silencioso causado pelas situações vividas na escola.

Defesa da escola contesta acusações

Em nota encaminhada por representantes jurídicos, o Colégio Status afirmou que a instituição e seus profissionais vêm sendo alvo de ataques, difamações e acusações nas redes sociais.

A escola declarou ainda que está colaborando com as autoridades e disponibilizando documentos e depoimentos para esclarecer os fatos. A defesa também sustenta que a adolescente enfrentava questões pessoais anteriores ao período em que estudou na instituição.

Caso levanta debate sobre bullying nas escolas

A morte da estudante provocou forte comoção em Ilhéus e reacendeu o debate sobre bullying, violência psicológica e responsabilidade das instituições de ensino diante de denúncias feitas por alunos e familiares.

Especialistas apontam que situações de perseguição, humilhação ou isolamento dentro do ambiente escolar podem gerar impactos profundos na saúde mental de crianças e adolescentes, especialmente quando não recebem acolhimento ou acompanhamento adequado.

O inquérito policial foi concluído e encaminhado ao Ministério Público, que agora deverá analisar o caso e decidir se apresenta denúncia à Justiça contra as pessoas indiciadas.

 

 

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