A corrida eleitoral para o governo da Bahia em 2026 já se desenha como uma das mais acirradas dos últimos anos, segundo avaliação do cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest. Em entrevista recente, Nunes destacou que a queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em nível nacional pode afetar significativamente o desempenho do PT na Bahia, um estado historicamente favorável ao partido.
O desgaste na imagem do presidente, de acordo com Nunes, vai além da comunicação governamental. “Há uma desconexão crescente entre Lula e os desejos da população, com frustração por promessas não cumpridas”, afirmou. Uma pesquisa da Quaest, divulgada no início de junho, mostra Lula e Jair Bolsonaro empatados com 41% das intenções de voto, evidenciando uma competição acirrada e o surgimento de novos nomes da oposição, como Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
Outro ponto de destaque é a fatia de aproximadamente 10% do eleitorado brasileiro que não se identifica com o lulismo nem com o bolsonarismo. Esse grupo, formado majoritariamente por homens adultos de classe média, pode ser decisivo para definir o resultado da eleição presidencial e, por consequência, influenciar os palanques regionais — especialmente na Bahia.
No estado, a possível candidatura de ACM Neto ganha fôlego. As pesquisas atuais apontam empate técnico com o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), o que torna a disputa ainda mais incerta. “Com a força de Lula em queda, a hegemonia petista na Bahia pode enfrentar seu maior teste”, avalia Nunes.
A perda de apoio entre o público evangélico — que já representa cerca de 30% dos adultos no país — é mais uma dor de cabeça para o Planalto. A falta de diálogo com esse segmento pode prejudicar ainda mais o PT, especialmente em regiões como o Nordeste.
Nunes também alertou sobre o risco político para Bolsonaro caso demore a apresentar um sucessor. “Tarcísio, Zema e Caiado ganham espaço. Se Bolsonaro não agir rápido, pode perder relevância no processo”, destacou.
Para as eleições de 2026, temas como segurança pública, geração de empregos, empreendedorismo e inteligência artificial devem dominar os debates. A pauta da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, segundo Nunes, não terá impacto eleitoral significativo.
Com o cenário baiano em aberto e o desempenho nacional do PT em queda, 2026 pode marcar uma virada histórica na política da Bahia.
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