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Sexta-feira, 05 de Junho de 2026
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Brasil

Bolsonaro reúne milhares na Paulista, cobra freio a Moraes e repete pedido de anistia do 8/1

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu milhares de apoiadores na avenida Paulista neste sábado, 7 de setembro

Caio Pinheiro Oliveira
Por Caio Pinheiro Oliveira
Bolsonaro reúne milhares na Paulista, cobra freio a Moraes e repete pedido de anistia do 8/1
Foto: Reprodução/TV Globo
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu milhares de apoiadores na avenida Paulista neste sábado, 7 de setembro, em um protesto que teve como principal alvo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Bolsonaro criticou o magistrado, pedindo que o Senado impusesse limites a ele, e reiterou pedidos de anistia aos presos pelos eventos de 8 de janeiro de 2023.

"Espero que o Senado bote um freio em Alexandre de Moraes, esse ditador que faz mais mal ao Brasil do que o [presidente] Luiz Inácio Lula da Silva", disse Bolsonaro no discurso de encerramento do ato, apesar de a cúpula dos senadores já ter afastado a possibilidade de avanço nos pedidos de impeachment contra o magistrado.

Os manifestantes ocuparam várias quadras da avenida, mas, aparentemente, havia menos apoiadores em relação ao último ato bolsonarista de fevereiro, conforme comparações de imagens aéreas. Procurada, a Polícia Militar informou que não divulgaria estimativa de público.

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Bolsonaro subiu no caminhão de som pouco depois das 14h, acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e dos filhos: o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também estava no veículo, mas não foi anunciado nem mencionado nos discursos. Já Pablo Marçal (PRTB), que mantinha mistério sobre sua presença e disputa com Bolsonaro o apoio dos eleitores à Prefeitura, apareceu quase ao final do ato, foi ovacionado e afirmou ter sido impedido de subir no trio.

Bolsonaro compareceu ao protesto após passar por um hospital pela manhã, devido a um mal-estar causado por uma gripe, segundo seus aliados. Na véspera, ele afirmou a seguidores em Juiz de Fora (MG) que a manifestação seria uma forma de desafiar o que chamou de "sistema".

Em seu discurso, Bolsonaro adotou um tom antissistema, relembrando feitos de sua gestão e alegando ter sido retaliado porque "eles não estavam roubando mais". "Se uniram e voltaram ao velho discurso de que eu queria dar um golpe de Estado, usando dispositivos da nossa Constituição", declarou.

Bolsonaro também afirmou que as eleições de 2022 foram conduzidas "de forma totalmente parcial" por Moraes, a quem chamou de ditador, e pediu que a proposta de anistia avance na Câmara dos Deputados. "Nós conseguiremos essa anistia. Só assim poderemos começar a sonhar com pacificação", disse em cima do caminhão.

No mesmo veículo, que antes ecoou falas religiosas e paródias de funks, estavam o pastor Silas Malafaia, organizador do evento, e um grupo de legisladores bolsonaristas. Entre eles, os senadores Magno Malta (PL-ES) e Marcos Pontes (PL-SP), além dos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG), Bia Kicis (PL-DF), Mario Frias (PL-SP) e Ricardo Salles (Novo-SP).

O primeiro a discursar foi o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que chamou Moraes de psicopata e puxou o coro de "fora, Xandão". Ele também pediu o impeachment do magistrado e a anistia aos acusados de atos golpistas, além de encorajar os apoiadores a defender quatro bandeiras:

"1: o fim da perseguição dos inocentes e prisões políticas. 2: a anistia para todos os presos políticos. 3: o encerramento de todos os inquéritos ilegais derivados do inquérito do fim do mundo e 4: o impeachment de Moraes", enumerou, sendo aplaudido.

Alguns manifestantes seguravam cartazes em inglês e português, pedindo ajuda ou agradecendo ao bilionário Elon Musk, dono do X, antigo Twitter. Tanto Eduardo Bolsonaro quanto o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) fizeram trechos de seus discursos em outro idioma: "We will never give up" (nós nunca vamos desistir), disse Gayer.

A manifestação foi impulsionada pela recente decisão de Moraes de suspender as atividades do X no Brasil, após a empresa não indicar um representante legal no país. Desde então, Musk tem apoiado postagens sobre o ato e afirmou que o magistrado "deve sofrer impeachment por violar seu juramento de posse".

O pastor Malafaia também fez um discurso duro contra o ministro, listando normas que, segundo ele, foram infringidas pelo juiz e acusando-o de "rasgar a Constituição". "Alexandre de Moraes tem que sofrer impeachment e ir para a cadeia. Lugar de criminoso é na cadeia", disse aos berros.

Os manifestantes reagiram aos discursos gritando: "Cabeça de ovo, supremo é o povo".

O governador paulista Tarcísio de Freitas não mencionou Moraes, mas defendeu a anistia aos presos pelos ataques golpistas de 8 de janeiro. "A nossa causa hoje aqui é a liberdade, a anistia", declarou, acrescentando que "famílias dos presos políticos importam" e que "não se pode tolerar a falta de segurança jurídica".

Alguns oradores também mencionaram a série de reportagens da Folha de S. Paulo, que mostrou que Moraes utilizou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fora do rito formal para investigar bolsonaristas e embasar decisões no inquérito das fake news no Supremo, durante e após as eleições de 2022.

Na última manifestação organizada na avenida Paulista, em fevereiro deste ano, Bolsonaro havia adotado um tom mais moderado contra a Corte e afirmou buscar a pacificação do país, acuado pelas investigações sobre a suposta trama golpista.

Naquela ocasião, apoiadores foram orientados a não levar faixas e cartazes contra o STF, o que não ocorreu desta vez.

Declarado inelegível pela Justiça Eleitoral até 2030 por ataques e mentiras sobre o sistema eleitoral, o ex-presidente foi indiciado neste ano pela Polícia Federal em inquéritos sobre as joias e a falsificação de certificados de vacinas contra a Covid-19.

Além desses casos, Bolsonaro é alvo de outras investigações que apuram os crimes de tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado democrático de Direito, incluindo os ataques de 8 de janeiro de 2023.

Parte dessas apurações está no âmbito do inquérito das milícias digitais, relatado por Moraes e instaurado em 2021, que podem, em tese, resultar na condenação de Bolsonaro em diferentes frentes.

 

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FONTE/CRÉDITOS: Por Folhapress
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