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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026
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Política Geral

Banco Master, Guido Mantega e Jaques Wagner: articulação política antecedeu contrato milionário

Ex-ministro da Fazenda teria atuado como consultor do Banco Master após indicação de Jaques Wagner, em meio a críticas públicas do presidente Lula à instituição financeira

Mandato Bahia
Por Mandato Bahia
Banco Master, Guido Mantega e Jaques Wagner: articulação política antecedeu contrato milionário
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A relação entre política e sistema financeiro voltou ao centro do debate nacional após a revelação de que o Banco Master teria contratado o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para atuar como assessor estratégico. De acordo com informações divulgadas pela imprensa nacional, a aproximação teria ocorrido por meio de articulação do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.

Segundo relatos de bastidores, a remuneração acordada com Mantega teria alcançado a cifra de R$ 1 milhão mensais, valor que teria sido pago ao longo de quase um ano de prestação de serviços. A atuação do ex-ministro teria se concentrado em atividades de consultoria e interlocução institucional, especialmente em um momento de fragilidade financeira do banco.

A contratação chama atenção por ocorrer em um contexto político delicado. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas contundentes a um grande grupo financeiro privado, atribuindo ao controlador da instituição práticas consideradas irregulares e cobrando responsabilidade de aliados que o defendem. Embora o banco não tenha sido citado nominalmente, a referência foi amplamente associada ao Banco Master, evidenciando um contraste entre o discurso público e as movimentações nos bastidores.

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Antes de ingressar no banco, Guido Mantega chegou a ser cogitado para integrar o conselho de administração da Vale. A indicação, no entanto, foi revista após reações negativas do mercado financeiro, que interpretaram o movimento como tentativa de influência política em uma empresa privada, ainda que com participação indireta do Estado por meio de fundos de pensão e concessões públicas.

No Banco Master, a principal atribuição de Mantega teria sido auxiliar nas tratativas para a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Ele permaneceu vinculado ao grupo até poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação do banco, em novembro do ano passado. Estimativas indicam que os valores recebidos pelo ex-ministro ao longo do período ultrapassaram R$ 10 milhões.

As conexões políticas em torno do banco envolvem ainda outros nomes de peso. Um dos principais interlocutores do senador Jaques Wagner dentro da instituição era um dos executivos do grupo controlador, que também mantém relação próxima com integrantes do núcleo central do governo federal, incluindo o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Registros oficiais apontam que, ao longo de 2024, Guido Mantega esteve diversas vezes no Palácio do Planalto, sempre em reuniões com a chefia de gabinete da Presidência da República. As agendas públicas não detalharam o conteúdo dos encontros, limitando-se a indicar “encaminhamentos de pauta”.

O episódio amplia o debate sobre a fronteira entre relações institucionais, interesses privados e articulação política em Brasília, além de reforçar questionamentos sobre coerência entre discursos públicos e práticas adotadas nos bastidores do poder.

 

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