O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deu aval para que o Partido Liberal – PL no Ceará apoie o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) como candidato ao governo do Estado em 2026, segundo o deputado federal André Fernandes (PL-CE), líder da sigla no estado.
André Fernandes afirmou que Bolsonaro “ouviu, atendeu e mandou tocar” o projeto, dando a ele a responsabilidade de conduzir a articulação no Ceará. O objetivo da aliança é reunir forças da direita e do centro para enfrentar o atual governador Elmano de Freitas (PT-CE) nas eleições de 2026.
Ciro Gomes, recém-filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), afirmou que pretende construir uma “proposta de centro-esquerda” que reúna sindicatos e empresários do agronegócio. Apesar da aproximação com o PL, ele ainda não confirmou oficialmente a candidatura ao governo estadual.
A articulação inclui ainda a possível formação de uma chapa majoritária envolvendo PL, PSDB e União Brasil, com divisão de vagas ao Senado prevista para o pai de André Fernandes, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE).
A união entre Ciro Gomes e as forças bolsonaristas no Ceará representa uma guinada política significativa: Ciro já classificara Bolsonaro como “negacionista por vocação” e “estúpido por natureza” durante a campanha presidencial de 2022.
Essa reviravolta reflete o pragmatismo prevalecente nas disputas de 2026 e aponta para a tentativa de consolidar uma frente capaz de derrotar o PT no Ceará. No entanto, há incertezas quanto à disposição real de Ciro em disputar o pleito e sobre a aceitação da base partidária local.
O cenário para 2026
No estado governado pelo PT, a aliança ganha força como alternativa de oposição. O PL encontra no Ceará uma base estratégica para expandir sua influência regional, enquanto o PSDB aposta em Ciro como candidato competitivo. O apoio de Bolsonaro, mesmo inelegível até 2030, reforça o peso da parceria.
A articulação será observada de perto por partidos e eleitores, que veem na união uma tentativa de superar polarizações anteriores e construir uma frente mais ampla, unindo direita, centro e parte da centro-esquerda em busca de espaço político no Nordeste.

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