O cenário político baiano ganha novos contornos com a movimentação estratégica de ACM Neto (União). Ao focar suas atenções na figura de Zé Cocá (PP), atual prefeito de Jequié, Neto busca solucionar um gargalo histórico observado no último pleito estadual: a resistência eleitoral em cidades de pequeno e médio porte, especialmente na região do Médio Rio de Contas.
A escolha reflete o desejo do ex-prefeito de Salvador em contar com um nome que possua penetração capilarizada fora da Região Metropolitana. Zé Cocá, que já presidiu a União de Prefeitos da Bahia (UPB) e possui um histórico como deputado estadual e gestor municipal por dois mandatos em Lafaiete Coutinho, surge como a peça fundamental para esse diálogo com as lideranças do interior.
O desafio estatístico no Médio Rio de Contas
Dados baseados no segundo turno de 2022 revelam a dimensão do desafio para o grupo oposicionista. Naquela ocasião, Jerônimo Rodrigues (PT) obteve uma vitória expressiva nos 16 municípios que compõem a região de Jequié. Em termos numéricos, o atual governador conquistou 57,73% da preferência do eleitorado local, somando mais de 117 mil votos, enquanto ACM Neto registrou 42,26%.
Um ponto de atenção para os articuladores é o desempenho na própria cidade de Jequié. Mesmo com o apoio de Cocá em 2022, Neto ficou ligeiramente atrás de Jerônimo, que alcançou 51,41% dos votos válidos no maior colégio eleitoral da região. A meta agora é ampliar essa margem e reverter o favoritismo petista em redutos vizinhos como Jitaúna e Manoel Vitorino, onde a diferença foi ainda mais acentuada.
O perfil político de Zé Cocá e o peso regional
A força política de Zé Cocá foi ratificada em sua última disputa pela reeleição em Jequié, quando obteve impressionantes 91,97% dos votos válidos, tornando se um dos prefeitos mais bem votados de todo o território baiano. Essa popularidade é o ativo que ACM Neto pretende utilizar para equilibrar o jogo contra a influência do PT, que venceu em 351 dos 417 municípios do estado no último confronto direto.
O ex-prefeito da capital já havia sinalizado que o perfil ideal para compor sua chapa deveria ser alguém com capacidade de articulação política e, sobretudo, representatividade geográfica fora do eixo Salvador e Região Metropolitana. A oficialização dessa união busca consolidar uma frente que consiga dialogar diretamente com as demandas do agronegócio e da administração pública municipalista.
Comparativo de votação por município (Dados 2022)
A tabela abaixo detalha o cenário que a nova chapa pretende transformar, destacando os votos obtidos no segundo turno das últimas eleições para governador:
| Município | Jerônimo Rodrigues (%) | ACM Neto (%) |
| Jequié | 46.153 (51,41%) | 43.614 (48,59%) |
| Ipiaú | 13.499 (57,55%) | 9.959 (42,45%) |
| Jitaúna | 6.410 (72,15%) | 2.474 (27,85%) |
| Manoel Vitorino | 7.396 (78,03%) | 2.083 (21,97%) |
| Aiquara | 1.888 (62,91%) | 1.113 (37,09%) |
Este mapeamento serve como bússola para as próximas agendas de Neto no interior, que devem focar em desconstruir a hegemonia governista em áreas onde o atual governador, natural de Aiquara, possui fortes raízes históricas e familiares.
