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Política

UM ALENTO PARA O CORONEL

Coluna Wense, 14 de dezembro 2025

Marco Wense
Por Marco Wense
UM ALENTO PARA O CORONEL
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Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, vai deixar o comando da secretaria de Governo e Relações Institucionais da gestão Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo pelo Republicanos. 

Deixando um pouco de lado o parágrafo acima, que diz respeito à saída de Kassab da secretaria para cuidar das estratégias e dos interesses do PSD no processo eleitoral de 2026, digo que à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à sucessão de Lula vai deixar Tarcísio mais presidenciável. 

O filho número 1 de Jair Messias Bolsonaro caminha a passos largos para ser o "bobo da corte" do pleito de 2026. Flávio está isolado. O chamado centrão, com suas principais legendas - PSD, PP, REPUBLICANOS e União Brasil -, trata à pré-candidatura de Flávio com desdém, como se não existisse, com a frieza que lembra a temperatura da barriga da lagartixa. 

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Lembrando ao caro e atento leitor que boa parte do PL, abrigo partidário do clã Bolsonaro, não quer nem ouvir falar do "presidenciável" Flávio Bolsonaro, principalmente o de São Paulo. Sem falar que Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, em conversas reservadas, diz que à pré-candidatura de Flávio não vai para lugar nenhum. 

No frigir dos ovos, com Flávio Bolsonaro sem crescer nas pesquisas de intenções de voto e com uma alta rejeição, Tarcísio de Freitas vai ser paparicado pelo bolsonarismo, que sabe que o governador de São Paulo é o único representante da direita com chance de evitar à reeleição de Lula, o governo Lula 4. 

E tem mais: a eleição de Tarcísio de Freitas significa a real possibilidade de um indulto para o ex-presidente Bolsonaro. O restabelecimento da elegibilidade ganharia um significativo e imprescindível reforço. 

Com o fim da pré-candidatura de Flávio, o plano B da família Bolsonaro volta à tona: indicar o vice de Tarcísio, que pode ser o próprio senador ou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem a preferência do tarcisismo. 

Voltando ao primeiro parágrafo, mais especificamente ao imbróglio na composição da majoritária do lulopetismo da Bahia, a saída de Kassab do governo Tarcísio para cuidar do PSD passa a ser um alento para o senador Angelo Coronel, companheiro de partido de Kassab e postulante à reeleição. 

Kassab não vai aceitar a defenestração do Coronel da chapa governista, rotulada de puro-sangue petista, também chamada de "chapa da soberba", idealizada por Jaques Wagner, cuja candidatura é tão natural como a do Coronel. 

Kassab pretende ter uma conversa, olho no olho, com o governador Jerônimo Rodrigues, que é, de longe, o que vai ser mais prejudicado com a majoritária 100% petista. Uma revolta no PSD pode custar o segundo mandato do chefe do Palácio de Ondina. 

Kassab sabe que Jerônimo não tem força política para evitar que a majoritária 100% petista seja concretizada, que a decisão do governador passa pelo consentimento de Jaques Wagner e Rui Costa, que dão claros sinais de que não abrem mão de disputar as duas vagas na Câmara Alta. 

Gilberto Kassab, dirigente-mor do PSD, é fervoroso defensor da candidatura de Tarcísio de Freitas na sucessão de Lula. Coloca o governador do Paraná, Ratinho Júnior, companheiro de legenda, em segundo plano, cometendo um explícito ato de infidelidade partidária. 

A exclusão do Coronel da majoritária é um bom argumento para oxigenar uma eventual decisão de que o PSD deve apoiar à pré-candidatura de ACM Neto (União Brasil) ao governo da Bahia, com Angelo Coronel na majoritária oposicionista. 

Kassab já deve ter conversado com o também senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, sobre o pega-pega na composição da majoritária. Deve pedir sua opinião em relação ao encontro que pretende ter com o governador Jerônimo Rodrigues. 

Se Jerônimo Rodrigues não conquistar o segundo mandato, até as freiras do convento das Carmelitas vão dizer que a culpa foi da majoritária puro-sangue, da soberba do PT.

Concluo dizendo que o senador Angelo Coronel tem um grande e poderoso aliado do seu lado: nada mais, nada menos que Gilberto Kassab, que passa a ser o alento do Coronel em não ser defenestrado da majoritária da base aliada governista.

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Marco Wense

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Marco Wense

Itabunense, Advogado e Articulista de Política

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