Não acredito que o senador Angelo Coronel tenha pedido a Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, uma intervenção no comando da legenda na Bahia, presidida pelo também senador Otto Alencar.
Seria muita ingenuidade do Coronel acreditar que Kassab ficaria do seu lado em detrimento de Otto, hoje seu principal adversário político, com um olhando atravessado para o outro. Não se faz mais compadre como antigamente.
Prefiro dar crédito à narrativa do Coronel. Veja abaixo, caro e atento leitor, ipsis litteris, o que disse o agora aliado de ACM Neto, pré-candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil.
"Na quarta eu estava em São Paulo, e um dia antes saiu a notícia do acordo de Caiado com o PSD. Caiado disse que faria palanque para ACM Neto. Como Otto, no PSD, poderia dar palanque a Lula? Eu pedi para Otto poder ser candidato avulso. Jaques Wagner se meteu em um assunto que nem era da alçada dele, porque é do PSD. Pedi a Kassab que liberasse o partido para ter uma candidatura avulsa. Em momento nenhum pedi para ele intervir no PSD da Bahia. Temos que esclarecer de quem é a mentira".
Quem é o mentiroso-mor nesse imbróglio? O que é inquestionável é o cinismo que envolve o pega-pega. É um mentindo para o outro. É a política com "p" minúsculo, assentada no vale-tudo, no ensinamento maquiavélico de que os fins justificam os meios.
Outro ponto que chama atenção é a indiferença, a frieza cadavérica de Gilberto Kassab com os presidenciáveis da legenda: Ratinho Júnior, governador do Paraná, e o neofiliado Ronaldo Caiado, governador de Goiás.
A temperatura da frieza do pragmático Kassab com os pré-candidatos do PSD à sucessão de Lula (PT) lembra a da barriga da lagartixa.
O chefe do PSD faz campanha aberta, mais incisiva nos bastidores, para que Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, seja candidato à Presidência da República no pleito de 2026, cometendo assim um explícito e escancarado ato de infidelidade partidária.
Disse na coluna de ontem que o anzol da infidelidade partidária só fisga os "peixes" miúdos, as "piabinhas" do movediço, cruel e traiçoeiro mundo da política.
Agora é esperar como irá se comportar o eleitorado diante dessa busca desenfreada pelo poder, do vale-tudo, do salve-se quem puder.
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Discordo do editorial de hoje do Estadão, que tenho muito tempo como assinante e leitor assíduo. A candidatura a que se refere o editorial é a de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo. Até as freiras do convento das Carmelitas sabem que Tarcísio é bolsonarista. E mais: um bolsonarista que adora fazer cafuné no chefe Bolsonaro. Portanto, muito longe de ser um nome não identificado com a odienta e carcomida polarização Lula versus Bolsonaro. Vale lembrar que Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, anda dizendo que Tarcísio é submisso ao "mito". O relacionamento de Tarcísio com Bolsonaro faz lembrar o ditado popular do "cara de um, focinho do outro".

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