Muita gente lembrou dos três anos da morte de Fernando Gomes. É impressionante seu currículo político: cinco vezes prefeito de Itabuna e três mandatos de deputado federal. Lembrando que FG foi parlamentar constituinte.
Como iria se comportar Fernando Gomes diante da política se tivesse vivo? Perguntaria o caro e atento leitor.

Em relação ao governo municipal, do prefeito Augusto Castro (PSD), estaria na oposição. Em consideração ao ministro Rui Costa, chefe da Casa Civil do governo Lula 3, apoiaria o governador Jerônimo Rodrigues (PT-reeleição).

Fernando tinha um bom relacionamento político com Rui Costa, a ponto do então governador se hospedar no seu apartamento quando vinha a Itabuna. Ficou tão empolgado com Rui Costa que chegou a colocar um adesivo do PT no peito.
Com efeito, Fernando Gomes chegou a ser o mais ferrenho opositor do petismo no sul da Bahia. Não tinha papas na língua quando fazia duras críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Para explorar sua falta de estudo, a oposição começou a chamá-lo de "Fernando Cuma". Deu no que deu: a periferia o identificou como seu representante. O populismo de FG o fez conquistar cinco mandatos como prefeito de Itabuna.
Morreu sem conseguir quebrar o tabu do segundo mandato consecutivo (reeleição). A invejável história política de Fernando Gomes dificilmente será comparada. Ouso dizer que outro "Fernando Gomes" é um grande pesadelo.
PS (1) - Sempre fiz oposição ao governo FG. Nunca votei no então candidato, seja para o Executivo ou Legislativo. O respeito e a civilidade nunca deixaram de existir da minha parte e da do "lendário" Fernando Gomes.
PS (2) - O engraçado ficou por conta do então alcaide, no bar Kati-Kero. Ao me questionar, disse que eu estava perdendo meu tempo fazendo críticas ao seu governo: "Moço, não adianta você ficar escrevendo essas coisas, perdendo seu tempo. A maioria dos meus eleitores não sabem ler. São analfabetos". Na época eu tinha uma coluna no Diário Bahia. FG era uma figura.

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