Passado o calor das emoções iniciais e reconhecendo tudo o que Jair Bolsonaro fez para merecer as consequências que agora chegam, digo com serenidade: no fundo, não cabe a nós mais do que brincadeiras e memes. A prisão dele deve ser compreendida sob a lente filosófica que a esquerda sempre defendeu: a punição necessária e proporcional, nunca o punitivismo selvagem.
Não seremos nós os agentes da revanche.
Que ele tenha saúde, que todos os seus direitos processuais sejam rigorosamente respeitados e, caso se comprove incapacidade física agravada pela idade, que cumpra eventual pena em regime domiciliar, como prevê a lei.
Temos o dever de garantir direitos humanos até para aqueles que passaram anos negando humanidade aos outros.
Não seremos nós que transformaremos a Justiça em acerto de contas.
Que Bolsonaro responda por seus atos, pela via institucional, sem espetáculo e sem sadismo.
A democracia brasileira sairá desse processo mais forte, mais madura e mais respeitada no mundo; essa, sim, será a maior punição para ele e para seus seguidores.
Comemoremos, portanto, pela democracia e não pela prisão. Há merecimento, claro, mas a vitória é incomensuravelmente maior que o encarceramento de um homem.
A lição que fica gravada é histórica:
"Não se pode ameaçar as liberdades nem a democracia de um povo que lutou séculos para construí-las."
Esse é o maior patrimônio do Brasil ainda que imperfeito e inacabado. É ele que garante a comida na mesa, a escola dos filhos, o hospital quando precisamos, o direito de ir e vir, o direito sagrado de eleger um dos nossos para nos governar e de tirá-lo do poder pelas urnas quando necessário.
A democracia venceu.
E vencerá sempre, enquanto a defendermos com instituições, com leis e com a grandeza de quem não precisa descer ao nível dos que nos atacaram.
Que viva a Democracia Brasileira.
E que ninguém mais ouse ameaçá-la.
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