É o ápice do mau gosto, da falta de criatividade e da submissão cultural de um povo que, mesmo habitando a cidade de um dos maiores escritores em língua portuguesa do mundo, cercado por poetas, escritores e acadêmicos, parece ignorar um dos pilares da nossa civilização: a nossa língua incrivelmente rica, admirada e bela. Qual a dificuldade de escrever “Eu Amo Ilhéus”?
E vai ficar ainda pior: a praça de alimentação que está sendo construída na avenida vai se chamar “Food Park”.
Desculpem novamente; nem estou entrando no mérito das obras. Trato apenas do conceito estético de arrumar a cidade. De qualquer maneira, é melhor agir do que perpetuar a inoperância preguiçosa que marcou o governo Marão. Contudo, não custa ter o cuidado de deixar o mau gosto típico da deslumbrada classe média brasileira com sua estética brega restrito aos espaços particulares.
Na estética do paisagismo urbano, dispomos da mais bela vegetação decorativa do planeta. O que a cidade precisa é de áreas verdes, flores nas calçadas, limpeza adequada, calçadões, ciclofaixas, áreas de lazer funcionais e um paisagismo que dialogue com a natureza ao redor… que valorize a Mata Atlântica.
É evidente que há quem goste: tem gente que aplaude a destruição do patrimônio histórico e artístico… por que não haveria de apreciar uma estética pseudomodernista dos anos setenta, importada dos EUA? Para quem não sabe, nos anos setenta houve uma febre de fontes luminosas no Brasil. Em todas ou quase todas as cidades foram construídas fontes de todo jeito, modelo e tamanho. Cinco anos depois, já não existia mais nenhuma funcionando: as prefeituras não conseguiam dar manutenção, e foram se acabando, como se acabam as escolas, os postos médicos, os prédios públicos, as praças…

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