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Sexta-feira, 06 de Novembro 2026
Política

Marão deixa PSD e se filia ao Avante: ruptura política expõe desgaste e derrota nas urnas em Ilhéus

Fundador do PSD em Ilhéus, ex-prefeito sai fragilizado após derrota histórica e falta de apoio do grupo de Otto Alencar

Mandato Bahia
Por Mandato Bahia
Marão deixa PSD e se filia ao Avante: ruptura política expõe desgaste e derrota nas urnas em Ilhéus
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A recente filiação do ex-prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre (Marão), ao Avante é mais do que uma mudança partidária: é o reflexo de um processo de desgaste político, isolamento dentro da base aliada do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e uma derrota acachapante nas eleições municipais de 2024. Fundador do PSD no município, Marão deixa a legenda liderada na Bahia pelo senador Otto Alencar em clima de ruptura silenciosa, mas profunda.

Marão apostou alto ao lançar Bento Lima, seu ex-secretário e homem de confiança, como candidato à sua sucessão. Contra todas as indicações políticas e sem respaldo da cúpula estadual do PSD, insistiu em manter a candidatura, mesmo diante da clara ausência de apoio de lideranças expressivas da base do governador. O resultado foi desastroso: Bento Lima amargou um terceiro lugar, sendo superado por Adélia Pinheiro (PT) e pelo vencedor Valderico Júnior (União Brasil).

A escolha isolada de Marão demonstrou não apenas uma teimosia política, mas também um erro estratégico de avaliação. Enquanto o PT bancava candidatura própria e o PSD se mantinha distante, o ex-prefeito acreditava que teria o apoio irrestrito do governador Jerônimo em Ilhéus — o que claramente não aconteceu. A falta de respaldo durante a campanha foi notória, e o fim de sua gestão foi marcado por uma avaliação negativa da população, em meio a críticas por promessas não cumpridas, obras inacabadas e serviços públicos fragilizados.

A entrada no Avante, partido comandado na Bahia por Ronaldo e Neto Carletto, soa como tentativa de recomeço, mas também levanta questionamentos. Marão deverá disputar uma vaga para deputado federal ou estadual em 2026, mas há um detalhe importante: sua esposa, Soane Galvão, é deputada estadual em mandato. O casal pretende disputar dois cargos ao mesmo tempo? Soane abrirá mão da reeleição para que o marido ocupe seu espaço?

Vale destacar que, até o momento, Soane Galvão tem tido uma atuação parlamentar pouco expressiva. Com baixa produção legislativa relevante, é frequentemente vista apenas em eventos de entrega de viaturas, ambulâncias e ônibus escolares, cujos recursos, na maioria das vezes, são provenientes do Governo Federal, sem articulações próprias diretas da deputada. Sua representatividade como voz de Ilhéus e do Sul da Bahia ainda é questionada por diversos setores da população.

Com a entrada de Marão no Avante, o partido ganha um nome de peso na região, mas também herda um político em reconstrução, tentando se reerguer após uma eleição desastrosa e uma saída amarga de um partido que ele mesmo ajudou a fundar. A movimentação de Marão pode dar ao Avante algum fôlego para 2026, mas o sucesso dessa nova etapa depende de mais do que articulações partidárias: exige reconexão com a base, autocrítica e um novo projeto político que dialogue com as reais demandas da população.

Resta saber se Marão aprenderá com os erros do passado ou continuará apostando em estratégias personalistas e desconectadas da realidade eleitoral. O tempo dirá se essa virada de página será de fato um novo começo — ou apenas o último capítulo de uma trajetória política em declínio.

HR Multimídia

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Hélio Ricardo

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