Amanhã, terça-feira (19), a federação entre União Brasil e PP, legendas que integram o centrão, que deve ser chamada de União Progressista, será formalizada.
Até aí nada de anormal. Os partidos se juntam com dois objetivos : 1) fugir da temida cláusula de barreira, como foi o caso do PCdoB na federação Brasil da Esperança, se unindo ao PT e PV. 2) se fortalecerem nas duas Casas do Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados e o Senado da República.
Essa nova federação, do União Brasil com o Partido Progressista, vai propor o desembarque das duas siglas do governo federal, o que pressupõe que não estarão no palanque da reeleição do presidente Lula (PT).
O engraçado é a esperteza dos dirigentes partidários dos dois partidos. Sair da base de sustentação política sem perder a titularidade dos ministérios. Usufruir das benesses do poder até o último suspiro.
As duas legendas têm quatro ministros: Frederico de Siqueira (Comunicações), Celso Sabino (Turismo) e Waldez Góes (Integração Regional) do União Brasil. André Fufuca (Esporte) do PP.
A alegação para justificar a permanência desses ilustres filiados no governo Lula 3 é que eles precisam do apoio de Lula para oxigenar seus projetos eleitorais, como, por exemplo, os de Sabino e Fufuca, que pretendem disputar uma vaga no Senado no pleito de 2026, respectivamente pelo Maranhão e Amapá.
Na hora da onça beber água, os ministros, depois de agradar os prefeitos dos seus redutos eleitorais, via dinheiro público, começam a sair de mansinho do governo, com a justificativa de que é uma determinação do partido, que se dane o projeto da reeleição do presidente Lula.
PP e União Brasil vão apoiar um presidenciável da direita, o que estiver em melhor posição nas pesquisas de intenções de voto, com mais chances de derrotar o petista-mor ou outro candidato da esquerda se Lula ficar impedido de disputar o quarto mandato por um problema de saúde.
O PT sabe que PP e União Brasil vão dar um chega pra lá na reeleição de Lula, que é só uma questão de tempo. A fragilidade política faz o governo ficar refém das duas legendas.
Pelo andar da carruagem, o toma lá, que é mais dinheiro para os redutos eleitorais dos ministros, vai continuar. O da cá, que é apoiar à reeleição de Lula, é uma ilusão.
O movediço e traiçoeiro mundo da política não é fácil. É "cobra" engolindo "cobra". Cobras, que além de venenosas, são de duas cabeças.
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