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Segunda-feira, 03 de Agosto 2026
Política

CHAMARAM-NOS DE NEGACIONISTAS. AGORA A HISTÓRIA EXIGE EXPLICAÇÕES

Coluna Vinícius Brandão

Vinícius Brandão
Por Vinícius Brandão
CHAMARAM-NOS DE NEGACIONISTAS. AGORA A HISTÓRIA EXIGE EXPLICAÇÕES
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Durante a pandemia, eu fui chamado de negacionista.

Não porque negasse a existência da COVID-19. Eu sabia que a doença existia, conhecia os riscos e tinha uma família, empresas e aproximadamente 40 colaboradores sob minha responsabilidade.

Fui chamado de negacionista porque sou de direita, apoiava Jair Bolsonaro, desconfiava das certezas absolutas apresentadas pelas autoridades sanitárias e defendia que médicos e pacientes tivessem liberdade para avaliar tratamentos diante de uma doença nova, sobre a qual ninguém possuía respostas definitivas.

Para parte da esquerda, nenhuma explicação importava. Quem questionava o lockdown era inimigo da vida. Quem criticava o fechamento prolongado das escolas queria matar professores. Quem perguntava sobre efeitos adversos das vacinas era classificado como antivacina. Quem mencionava ivermectina ou hidroxicloroquina era ridicularizado como consumidor de “remédio de cavalo”.

O tempo passou. Os estudos amadureceram, documentos vieram a público e muitas das certezas absolutas daquele período começaram a ser confrontadas.

Isso não significa que todos os chamados “negacionistas” estavam certos em tudo. Significa que os autoproclamados proprietários da ciência também erraram, exageraram, omitiram incertezas e perseguiram pessoas por posições que deveriam ter sido discutidas com seriedade.

O LOCKDOWN NÃO ELIMINOU O VÍRUS

O lockdown não conseguiu impedir que a COVID-19 continuasse circulando. O vírus atravessou fronteiras, entrou em residências e produziu novas ondas mesmo em lugares que adotaram restrições severas.

É igualmente inadequado afirmar que nenhuma medida de distanciamento tenha produzido qualquer resultado. Em determinados momentos e contextos, a redução da circulação de pessoas diminuiu contatos e desacelerou temporariamente a transmissão.

A discussão séria, porém, nunca deveria ter sido resumida à pergunta simplista sobre o lockdown “funcionar” ou “não funcionar”. A questão central era saber quanto a transmissão poderia ser reduzida e qual seria o custo humano, econômico, educacional e social dessa redução.

No Brasil, pequenos comerciantes foram impedidos de trabalhar enquanto grandes estabelecimentos continuaram funcionando. Hotéis, restaurantes, bares, lojas, academias, salões e prestadores de serviços foram tratados como atividades descartáveis.

Empresários continuaram pagando salários, impostos, fornecedores e aluguéis, porém foram impedidos de abrir suas portas.

Questionar a proporcionalidade dessas medidas não significava negar a doença. Significava reconhecer que desemprego, fome, falência, depressão, violência doméstica e abandono escolar também destroem vidas.

O isolamento poderia ser compreendido como medida emergencial e temporária diante do desconhecimento inicial, porém parte da esquerda transformou o confinamento numa espécie de prova de superioridade moral.

Quem permanecia em casa era apresentado como virtuoso. Quem precisava sair para trabalhar era tratado como irresponsável.

Era muito fácil defender o fechamento completo recebendo salário público, trabalhando remotamente ou vivendo de renda. Para quem precisava abrir uma loja, atender um cliente, transportar um passageiro ou manter um hotel funcionando, a realidade era completamente diferente.

AS MÁSCARAS VIRARAM UM SÍMBOLO POLÍTICO

Também não é correto afirmar que todas as máscaras foram completamente inúteis. A possível proteção dependia do material, do ajuste ao rosto, da forma de utilização, do ambiente e do tempo de exposição.

Uma máscara cirúrgica bem ajustada e utilizada corretamente em um ambiente fechado não pode ser comparada a um pedaço de tecido frouxo, manuseado repetidamente, colocado no bolso e reutilizado durante vários dias.

O problema foi vender as máscaras como uma barreira quase infalível e transformá-las, posteriormente, num símbolo de submissão política.

Crianças pequenas permaneceram mascaradas durante horas dentro das salas de aula. Pessoas foram constrangidas em ambientes abertos. Cidadãos foram tratados como criminosos por questionarem a eficiência real de medidas que ainda estavam sendo estudadas.

A máscara deixou de ser apenas um equipamento sanitário. Passou a funcionar como distintivo ideológico.

O cidadão mascarado era considerado responsável e civilizado. O cidadão que levantava uma dúvida era imediatamente classificado como perigoso, egoísta ou negacionista.

A ciência foi substituída pelo comportamento de manada.

AS CRIANÇAS PAGARAM UMA CONTA ENORME

Crianças e adolescentes podiam adoecer, ser hospitalizados e, em situações raras, morrer em consequência da COVID-19. O risco, porém, era muito menor do que entre idosos e pessoas com determinadas doenças preexistentes.

Apesar disso, milhões de crianças permaneceram afastadas das escolas durante períodos prolongados.

O resultado foi uma tragédia educacional, psicológica e social.

Não foram apenas conteúdos escolares que deixaram de ser ensinados. Crianças perderam convivência, brincadeiras, prática esportiva, alimentação escolar e contato com professores que frequentemente identificam dificuldades de aprendizagem, sinais de violência doméstica e problemas familiares.

Uma geração inteira ficou mais dependente de telas, mais ansiosa e mais atrasada no processo de alfabetização.

Fechar escolas durante os primeiros dias de completo desconhecimento poderia ser compreensível. Mantê-las fechadas durante meses, quando já existiam informações mais claras sobre o risco significativamente inferior entre crianças, foi uma decisão política cujas consequências serão sentidas durante anos.

A mesma esquerda que dizia proteger a infância raramente reconhece sua responsabilidade pelo prejuízo educacional provocado pelo fechamento prolongado das escolas.

O TRATAMENTO PRECOCE NÃO NASCEU NO WHATSAPP

Outra distorção histórica é dizer que o chamado tratamento precoce foi inventado por Jair Bolsonaro ou por militantes sem formação médica.

No início da pandemia, pesquisadores de diferentes países testavam medicamentos já conhecidos na tentativa de encontrar alguma intervenção capaz de reduzir a progressão da doença.

Médicos brasileiros prescreveram diferentes combinações de medicamentos, vitaminas e suplementos. Alguns defendiam cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, vitamina D, vitamina C e zinco. Outros profissionais discordavam dessas condutas.

Havia uma controvérsia médica real.

O próprio Ministério da Saúde publicou orientações sobre algumas dessas substâncias. O Conselho Federal de Medicina reconheceu, naquele contexto excepcional, a autonomia profissional para determinadas prescrições, desde que o paciente fosse informado sobre a ausência de comprovação definitiva e aceitasse o tratamento.

Médicos favoráveis ao tratamento precoce foram ouvidos pela CPI da Pandemia. Profissionais contrários também apresentaram seus argumentos.

Não era simplesmente uma disputa entre ciência e ignorância. Era uma discussão sobre medicamentos reposicionados, evidências preliminares, riscos conhecidos, autonomia médica e consentimento do paciente.

Minha família utilizou o protocolo recomendado pelos médicos que nos acompanhavam. Eu ofereci acesso ao protocolo aos colaboradores das minhas empresas que voluntariamente decidiram segui-lo.

Naquele período, não tivemos casos diagnosticados de COVID-19 entre meus familiares e os colaboradores que aceitaram o acompanhamento oferecido.

Esse relato prova cientificamente que a ivermectina impediu a doença? Não.

Uma experiência pessoal não possui grupo de controle e não substitui um ensaio clínico. Não permite excluir fatores como prevenção, exposição, imunidade, casos assintomáticos ou acaso.

O meu relato prova, porém, que eu não agi por desprezo à vida. Fiz exatamente o contrário.

Procurei médicos, ouvi profissionais, avaliei riscos e tentei proteger minha família e as pessoas que estavam sob minha responsabilidade.

Não aceito que alguém transforme esse cuidado em crime moral apenas porque sou de direita e apoiava Bolsonaro.

O TEMPO NÃO CONFIRMOU UMA CURA, PORÉM TAMBÉM NÃO JUSTIFICA A HUMILHAÇÃO

Não existem evidências clínicas suficientes para afirmar que ivermectina e hidroxicloroquina salvaram milhões de pessoas da COVID-19.

Grandes estudos realizados posteriormente não demonstraram benefícios suficientes para que esses medicamentos fossem reconhecidos como tratamentos comprovados contra a doença.

Isso, porém, não apaga o contexto existente no início da pandemia.

Havia estudos preliminares, hipóteses laboratoriais, pesquisas observacionais e médicos que acreditavam perceber resultados positivos na prática clínica.

Um medicamento pode ser legitimamente investigado e, posteriormente, não confirmar o benefício esperado. Esse processo faz parte da ciência.

O que não faz parte da ciência é censurar uma hipótese antes da conclusão, ridicularizar médicos, constranger pacientes e transformar uma controvérsia terapêutica em instrumento de perseguição política.

A ivermectina não foi comprovada como cura da COVID-19, mas a esquerda também não recebeu qualquer autorização moral para humilhar quem utilizou a versão humana do medicamento, com orientação profissional e conhecimento de suas limitações.

Durante meses, pessoas foram chamadas de ignorantes por tomarem um medicamento reconhecido para uso humano em outras doenças. A existência de versões veterinárias foi utilizada como arma de propaganda para tratar pacientes como animais.

Era deboche político disfarçado de comunicação científica.

AS VACINAS FUNCIONARAM, MAS NÃO COMO PROMETIAM OS SLOGANS

Também é incorreto afirmar que as vacinas nunca funcionaram.

As vacinas contra a COVID-19 reduziram o risco de doença grave, hospitalização e morte, principalmente durante os primeiros períodos da vacinação e entre pessoas vulneráveis.

O que elas não conseguiram foi impedir de maneira permanente que pessoas fossem infectadas ou transmitissem o vírus.

Pessoas vacinadas adoeceram, transmitiram a doença e precisaram receber novas doses diante do surgimento de variantes e da redução da proteção ao longo do tempo.

Foi errado vender a vacinação como garantia absoluta de bloqueio da transmissão.

Também foi errado tratar qualquer questionamento sobre idade, número de doses, risco individual, infecção anterior e efeitos adversos como manifestação de ignorância.

As vacinas não eram isentas de riscos. Autoridades sanitárias reconheceram casos raros de miocardite e pericardite associados a determinadas vacinas, especialmente entre homens jovens. Também foram identificadas complicações raras envolvendo trombose e redução de plaquetas em outras plataformas vacinais.

Isso significa que as vacinas mataram mais pessoas do que salvaram? Não há evidência séria que sustente essa conclusão.

Significa que, como qualquer intervenção médica, as vacinas apresentavam benefícios e riscos que variavam conforme idade, sexo, condição clínica, tipo de vacina e exposição ao vírus.

O erro político foi impedir que essa análise individual fosse debatida com liberdade.

Quem perguntava sobre miocardite era chamado de antivacina. Quem mencionava imunidade adquirida após a infecção era classificado como negacionista. Quem questionava a obrigatoriedade para jovens saudáveis era acusado de desprezar a vida dos idosos.

A ciência foi substituída pela chantagem moral.

BOLSONARO NÃO ACERTOU TUDO. SEUS ACUSADORES TAMBÉM NÃO

Nenhum governante está sempre certo.

Jair Bolsonaro cometeu erros de comunicação. Em alguns momentos, apresentou possibilidades terapêuticas com uma certeza maior do que aquela permitida pelas evidências disponíveis.

Também poderia ter demonstrado maior empatia diante das mortes e explicado com mais clareza a diferença entre hipótese, experiência clínica e comprovação científica.

Reconhecer esses erros não me torna menos de direita.

O que eu não aceito é a tentativa de reescrever a história como se apenas Bolsonaro tivesse errado.

Ele estava correto ao lembrar que a economia também sustenta vidas.

Estava correto ao alertar para os efeitos dos fechamentos prolongados.

Estava correto ao questionar a manutenção das escolas fechadas.

Estava correto ao defender autonomia médica e liberdade de escolha.

Estava correto ao desconfiar de autoridades que modificavam suas orientações enquanto exigiam obediência absoluta da população.

Estava correto ao lembrar que nenhum laboratório, burocrata internacional ou agente público deve estar acima do questionamento.

Bolsonaro não acertou tudo, mas seus acusadores estavam muito longe de possuir toda a razão.

AS PERGUNTAS CHEGARAM AO SENADO DOS ESTADOS UNIDOS

Em julho de 2026, Anthony Fauci compareceu sob intimação a uma comissão do Senado dos Estados Unidos para responder sobre a condução da pandemia.

Durante a audiência, foram formuladas perguntas sobre a origem do vírus, o financiamento de pesquisas, as vacinas, os tratamentos e as decisões adotadas pelas autoridades sanitárias.

Fauci invocou a Quinta Emenda da Constituição americana diante de diversas perguntas. O dispositivo protege uma pessoa contra a obrigação de produzir provas contra si mesma.

O exercício desse direito não representa uma confissão automática de culpa.

Politicamente, porém, a imagem foi devastadora.

O homem apresentado durante anos como símbolo máximo da autoridade científica recusou-se a responder publicamente sobre decisões que afetaram bilhões de pessoas.

O Senado americano não declarou que a ivermectina curava a COVID-19. Não absolveu Bolsonaro e não demonstrou que todas as vacinas eram inúteis.

O que a audiência revelou foi que perguntas tratadas como proibidas no Brasil eram legítimas o suficiente para serem formuladas dentro do Congresso dos Estados Unidos.

Durante a pandemia, a esquerda dizia que questionar era negar a ciência.

Agora, as autoridades que exigiam confiança absoluta também estão sendo questionadas.

EU NÃO NEGUEI A DOENÇA

Não preciso afirmar que as máscaras jamais funcionaram.

Não preciso dizer que lockdowns não produziram qualquer efeito.

Não preciso sustentar que a ivermectina salvou milhões de pessoas sem evidências clínicas suficientes.

Não preciso negar que as vacinas reduziram hospitalizações e mortes.

Minha crítica é maior do que esses slogans.

Parte da esquerda utilizou uma emergência sanitária para controlar o debate, determinar quais perguntas eram permitidas e dividir a sociedade entre cidadãos obedientes e inimigos da ciência.

Não fomos tratados como pessoas preocupadas com nossas famílias.

Fomos tratados como criminosos políticos.

Nossas dúvidas foram censuradas. Nossos médicos foram ridicularizados. Nossas experiências foram apagadas. Nossos negócios foram fechados. Nossas crianças foram afastadas das escolas. Nossa autonomia foi considerada perigosa.

Agora, quando algumas das autoridades que exigiam confiança absoluta são chamadas para explicar suas decisões, preferem recorrer ao silêncio.

Não quero medalhas e não pretendo fazer com que a ciência altere seus resultados para concordar comigo.

Quero apenas que aqueles que nos chamaram de negacionistas reconheçam que também erraram, também exageraram e também defenderam afirmações que o tempo não confirmou.

Eu não neguei a doença.

Neguei que a esquerda fosse proprietária da verdade.

E disso não me arrependo

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