A maior ofensiva recente contra o crime organizado no Brasil revelou nesta quinta-feira (28) a dimensão da infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em setores da economia formal. Uma megaoperação da Polícia Federal e da Receita Federal mobilizou cerca de 1.400 agentes em dez estados, com foco em empresas de combustíveis, mercado financeiro e fundos de investimento utilizados para lavagem de dinheiro.
As ações conjuntas, batizadas de Quasar, Tank e Carbono Oculto, investigam a movimentação bilionária de grupos ligados ao PCC. Apenas uma fintech envolvida no esquema movimentou R$ 47 bilhões entre 2020 e 2024, fora do radar da Receita Federal. No total, 40 fundos de investimento foram identificados como parte da estrutura financeira da facção, com bloqueio imediato de 21 fundos avaliados em R$ 30 bilhões.
Entre os bens sequestrados estão 141 veículos, mais de 192 imóveis, duas embarcações, além de R$ 300 mil em dinheiro vivo. A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio de R$ 1,2 bilhão, valor correspondente às autuações fiscais já realizadas. O patrimônio do grupo inclui terminais portuários, usinas de álcool, frota de caminhões e até fazendas avaliadas em milhões de reais.
Durante a operação, foram cumpridos mandados em São Paulo, Bahia, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins. No Paraná, por exemplo, foram realizadas 14 prisões preventivas e diversas apreensões em empresas ligadas à facção.
Segundo a Polícia Federal, o objetivo central da operação é desarticular a infiltração do PCC em setores regulares da economia, onde o crime organizado busca legitimar seus lucros ilegais. Para a Receita Federal, trata-se de uma das maiores ações já realizadas contra esquemas de fraude estruturada e lavagem de dinheiro no Brasil.Palavras-chave

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