O Brasil e a China oficializaram nesta segunda-feira (07/07/2025), em Brasília, um importante passo rumo à integração logística sul-americana: foi assinado no Ministério dos Transportes o memorando de entendimento que viabiliza os estudos técnicos para a implantação da Ferrovia Bioceânica. O projeto interligará o porto de Ilhéus, na Bahia, ao porto de Chancay, no Peru, criando um corredor ferroviário interoceânico que promete revolucionar o escoamento de cargas entre o Atlântico e o Pacífico.

O acordo foi firmado entre a estatal brasileira Infra S.A. e o China Railway Economic and Planning Research Institute, representando um avanço significativo na cooperação bilateral em infraestrutura de transporte.
Traçado estratégico integrará malhas já existentes
A Ferrovia Bioceânica aproveitará trechos ferroviários já em operação ou em construção, reduzindo custos e prazos de implementação. O trajeto previsto contempla três importantes ferrovias:
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FIOL (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) – conectando Ilhéus (BA) a Mara Rosa (GO)
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FICO (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste) – de Mara Rosa (GO) até Lucas do Rio Verde (MT)
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FNS (Ferrovia Norte-Sul) – de Açailândia (MA) a Estrela d’Oeste (SP)
A cidade de Lucas do Rio Verde será o ponto de entroncamento logístico. Dali, o corredor ferroviário avançará rumo à Bolívia e ao Peru, passando por Rondônia e Acre, até alcançar o porto de Chancay, no Oceano Pacífico.

Projeto integra plano de integração continental
A Ferrovia Bioceânica faz parte do programa Rotas de Integração Sul-Americana, lançado em 2023 pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, com o objetivo de conectar modais rodoviário, ferroviário, hidroviário e aéreo entre o Brasil e países vizinhos como Peru, Bolívia e Colômbia.
Além disso, integra um dos quatro pilares do acordo estratégico Brasil-China firmado em novembro de 2024, ao lado do Novo PAC, da Nova Indústria Brasil (NIB) e do Plano de Transformação Ecológica.
Estudos vão focar logística e sustentabilidade
Os estudos técnicos conduzidos pela equipe chinesa deverão avaliar:
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Interoperabilidade logística, envolvendo ferrovias, rodovias, portos, aeroportos e hidrovias;
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Integração com obras já em andamento no Brasil;
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Viabilidade econômica e ambiental do projeto;
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Conexão eficiente com a malha rodoviária, incluindo as BRs 364 e 317, além da estrada Irsa Sur, no Peru.
O projeto está alinhado às diretrizes de sustentabilidade e desenvolvimento regional defendidas pelos países do BRICS, destacadas na declaração conjunta da 17ª Cúpula do bloco, realizada no domingo (06/07/2025), no Rio de Janeiro.
Avanço da cooperação Brasil-China
A assinatura do memorando é resultado direto da aproximação Brasil-China intensificada nos últimos anos. Em abril e maio de 2025, ocorreram missões técnicas da China Railway no Brasil, com reuniões junto à Casa Civil, ao Ministério dos Transportes e ao Ministério do Planejamento e Orçamento. O tema também ganhou destaque durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim.
Além de fortalecer a infraestrutura ferroviária, a iniciativa amplia o papel do Brasil no comércio internacional, ao oferecer uma rota mais curta para exportações ao mercado asiático, reduzindo custos logísticos e emissões de carbono — prioridade tanto para o governo brasileiro quanto para a agenda climática global.
O porto de Chancay, recém-inaugurado a 70 km de Lima e construído com participação chinesa, será a porta de entrada das mercadorias brasileiras no Pacífico, consolidando o corredor bioceânico como uma via estratégica não apenas econômica, mas também geopolítica.
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