O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será interrogado nesta semana pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como parte da investigação que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O depoimento está previsto para ocorrer entre quarta-feira (11) e quinta-feira (12), no âmbito da ação que mira o núcleo estratégico da trama golpista.
Bolsonaro será o sexto a depor em uma série de oitivas conduzidas por Moraes com réus considerados centrais no inquérito. Os interrogatórios ocorrem presencialmente no Supremo, onde os acusados comparecem lado a lado, mas sem a possibilidade de diálogo entre si.
Em conversas recentes com a imprensa, o ex-presidente comentou a delação de seu ex-ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid, que afirmou ter havido uma articulação concreta para viabilizar um golpe de Estado. Apesar das revelações, Bolsonaro disse estar tranquilo. “Não tem por que me condenar. Estou com a consciência limpa. Nunca houve convocação do Conselho da República ou do Conselho de Defesa. Isso nem foi cogitado de fato”, argumentou.
De acordo com Cid, Bolsonaro teria pressionado o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para divulgar um relatório que levantasse suspeitas sobre a segurança das urnas eletrônicas — o que poderia ser usado como pretexto para uma intervenção institucional.
Apesar da gravidade das acusações, Bolsonaro e Cid trocaram um abraço antes dos depoimentos. O ex-presidente afirmou que não há mágoas e que não vê problemas na relação com o ex-aliado. A fala, no entanto, contrasta com o conteúdo da delação de Cid, que detalha reuniões e ações que colocariam Bolsonaro no centro da articulação golpista.
Os depoimentos desta semana são considerados decisivos para o avanço do inquérito. O STF, sob a relatoria de Moraes, avalia se há elementos suficientes para o envio dos réus à fase de julgamento. A expectativa é que o cerco jurídico sobre Bolsonaro se intensifique nas próximas semanas, especialmente após a confirmação, por delatores, de que existiam documentos e estratégias para tentar anular o resultado eleitoral de 2022.

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