Documentos da Receita Federal enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, que investiga o crime organizado, revelam que os repasses efetuados pelo Banco Master ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados atingiram a cifra de R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025. O escritório tem como sócia Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Os dados detalham que, ao longo de 2024, a instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro declarou 11 pagamentos mensais de aproximadamente R$ 3,64 milhões, totalizando R$ 40,11 milhões no primeiro ano. Em 2025, o montante declarado foi idêntico, embora os registros não apareçam segregados por mês nos documentos obtidos pela CPI.
Estrutura do contrato e serviços prestados
O vínculo contratual entre o Banco Master e a banca de advocacia — que conta também com dois filhos do casal Moraes entre os sócios — previa o pagamento total de R$ 129 milhões em três anos. No entanto, o serviço foi interrompido em novembro de 2025, mês em que ocorreu a liquidação do banco.
Em nota oficial emitida em março, o escritório Barci de Moraes detalhou a execução do contrato:
-
Operação: Realização de 94 reuniões de trabalho (79 presenciais na sede do banco).
-
Equipe: Mobilização de 15 advogados e coordenação de outros três escritórios especializados.
-
Escopo: Consultoria e atuação jurídica estratégica.
-
Vedações: O escritório afirmou categoricamente que nunca conduziu causas para o Banco Master no âmbito do STF.
Dados fiscais e retenção de impostos
As informações da Receita Federal indicam que o Banco Master informou o recolhimento de R$ 2,4 milhões em impostos retidos na fonte sobre os pagamentos realizados ao escritório em cada um dos anos. Isso sugere um valor líquido de R$ 37,6 milhões anuais destinados à banca de advocacia.
A tributação incidente, de aproximadamente R$ 224 mil mensais, corrobora com a cifra bruta de R$ 3,6 milhões por mês estabelecida no contrato original, revelado anteriormente pelo jornal O Globo.
Posicionamentos e sigilo fiscal
O escritório Barci de Moraes manifestou-se por meio de nota, mas evitou confirmar os valores exatos citados nos documentos da Receita, classificando as informações como "incorretas e vazadas ilicitamente". A banca ressaltou que os dados fiscais são protegidos por sigilo.
O ministro Alexandre de Moraes, procurado por meio da assessoria de imprensa do STF, não se manifestou sobre o teor dos dados fiscais ou sobre as atividades do escritório de sua esposa. A defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, também optou por não comentar o caso.
O caso segue sob análise da CPI do Senado, que busca identificar se os fluxos financeiros entre grandes instituições bancárias e escritórios de familiares de magistrados guardam conformidade com as normas de compliance e transparência exigidas pelo sistema financeiro nacional.
Acompanhe as principais notícias de Ilhéus

Comentários: